Em uma declaração que ecoa a preocupação de muitos puristas do rock, o lendário guitarrista Slash revelou recentemente que o Guns N’ Roses, ao menos por enquanto, não planeja uma residência na Sphere de Las Vegas. O motivo, segundo o músico, é a percepção de que o local de última geração não é intrinsecamente “amigável ao rock n’ roll”, priorizando o espetáculo visual em detrimento da crueza e da conexão inerente a um show de rock.
A revelação veio à tona durante uma entrevista ao programa Trunk Nation da Sirius XM, com detalhes posteriormente divulgados pela Rolling Stone. Slash, conhecido por sua abordagem visceral e seu estilo inconfundível, expressou admiração pela tecnologia da Sphere, mas levantou ressalvas sobre como ela pode alterar a essência de uma performance de rock.
A Perspectiva de Slash: O Dilema Visual Versus a Energia do Rock
A principal preocupação de Slash reside na balança entre o show visual e a experiência de um concerto de rock. “Eu ainda não estive lá [na Sphere], mas tudo o que vi parece incrível”, comentou o guitar hero, conforme reportado pelo Blabbermouth. Contudo, ele adicionou: “Estou realmente apreensivo em tocar lá, porque… é um ótimo show visual. Acho que, em quase todos os casos para uma banda, torna-se um show visual em vez de ver um show de rock n’ roll.”
Essa análise de Slash é crucial para entender a filosofia do Guns N’ Roses. Desde o lançamento de “Appetite for Destruction”, a banda construiu sua reputação com performances energéticas, muitas vezes caóticas e imprevisíveis, onde a autenticidade e a interação com o público predominam sobre elaboradas produções teatrais. A ideia de que 50% do foco estaria nas projeções e no conteúdo da parede externa da Sphere parece ir contra essa espontaneidade.
Validação de um Par: Joe Walsh e a Experiência dos Eagles
Para fundamentar sua visão, Slash citou uma conversa com Joe Walsh, lendário guitarrista do Eagles, que atualmente mantém uma residência na Sphere. “Conversei com Joe Walsh, cuja banda Eagles atualmente reside na Sphere, sobre tocar no local, e o guitarrista me disse que ‘não é realmente muito amigável ao rock ‘n’ roll, da forma como está configurado'”, revelou Slash. A validação de um músico experiente como Walsh adiciona peso à crítica de Slash, sugerindo que a infraestrutura da Sphere, com sua tecnologia imersiva e multissensorial, pode não complementar adequadamente a entrega crua e orgânica de um show de rock tradicional.
Outros Gigantes e o Futuro da “Never-Ending Reunion Tour”
A discussão sobre a Sphere não é exclusiva ao Guns N’ Roses. Anteriormente, o Metallica manifestou abertura à ideia de se apresentar no local. Slash reconhece que bandas com uma abordagem mais voltada para o espetáculo visual, como o Metallica, poderiam se adaptar melhor. “Eu poderia vê-los fazendo isso… Você tem que preparar sua mente para não apenas fazer uma performance de banda, mas 50% do que você está fazendo será a projeção, ou como quer que você chame isso — a parede externa, o que você está colocando como conteúdo”, ponderou.
Ainda que cauteloso, Slash não descartou completamente a possibilidade de uma residência futura, deixando uma porta aberta: “Mas veremos. Talvez mais adiante”. O Guns N’ Roses, com sua “never-ending reunion tour” que continua a atrair multidões globalmente, demonstra uma preferência por formatos de turnê que celebram a longevidade da banda e a atemporalidade de seu setlist, mantendo o foco na performance musical e no carisma de Axl Rose e companhia. A notícia recente de que o No Doubt será a próxima banda a ocupar a Sphere em maio de 2026 reforça a tendência do local em atrair nomes com apelo pop-rock e com a flexibilidade para integrar o visual extravagante do palco.
A questão para Slash e o Guns N’ Roses parece ser menos sobre a capacidade de realizar um show grandioso, e mais sobre manter a integridade da experiência que seus fãs esperam: um show de rock genuíno, sem que a tecnologia ofusque a alma da música.







