“Sempre que estiverem prontos”, disse Thom Yorke, com um tom de professor impaciente, ao Radiohead se preparar para o bis na O2 Arena de Londres. Um raro momento de humor do vocalista, que reconhece a longa espera dos fãs.
São 10 anos sem material novo e 99 meses desde o último show no Reino Unido. A antecipação pelo retorno disparou após o anúncio de concertos limitados. Setlists da Espanha e Itália já geraram frenesi, com fãs dissecando cada escolha musical.
Rumores indicam que a banda ensaiou 65 músicas diferentes, prometendo uma imersão completa na discografia.
O Aguardado Retorno aos Palcos
Na O2, a banda percorre sua vasta obra: dos hinos de “The Bends” (1994) às baladas de “A Moon Shaped Pool”, e a eletrônica de “Kid A”, em seu 25º aniversário. Uma viagem musical por sua trajetória.
Pequenos sinais de “ferrugem” apareceram, com questões de tempo e afinação. Embora possam ser da primeira noite, parecem estranhos para a proficiência técnica do grupo. Contudo, quando tudo se encaixa, a visão é arrebatadora.
A abertura com “Planet Telex” e a poderosa “2+2=5” (com nova urgência política) preparou o palco. Em “Sit Down, Stand Up”, já há loucura percussiva, auxiliada por Chris Vatalaro. Sua presença sublinha o “segredo” do Radiohead: a seção rítmica.
Com grooves dançantes nas faixas mais complexas, a seção rítmica brilhou. Linhas de baixo de “National Anthem” e loops de bateria de “Idioteque” impulsionam a plateia. É cômico ver Colin Greenwood tentar, em vão, fazer o público bater palmas no ritmo atípico de “15 Step”.
A maioria apenas balança a cabeça, em apreciação unificada. Entre as faixas experimentais, clássicos como “Lucky”, “No Surprises” e a sublime “Weird Fishes/Arpeggi” encantaram. Minha teoria: o “desgosto” da banda pelo material antigo é um estratagema, tornando hinos como “Fake Plastic Trees” ainda mais emocionantes.
Reunião: Um Ato de Cura?
“Fake Plastic Trees” abriu um bis focado nos anos 90, incluindo “Let Down” (do TikTok) e a épica “Paranoid Android”. Thom Yorke, introduzindo “Just”, relembrou que a escreveram em 1994, quando temiam ser lembrados apenas por “Creep”.
A história foi outra, mas a reunião os coloca em uma posição peculiar. Sem material novo e com sete anos férteis em projetos paralelos (como os três álbuns de The Smile), parecia que os membros haviam seguido em frente.
Luto, paternidade, saúde mental e tensões internas (rumores sobre Israel) adiaram o retorno. Em agosto, Yorke disse que a reunião “não estava nos planos”. A decisão de tocar “embalados como sardinhas” em palco circular ganha maior significado.
O grupo, simbolicamente, volta à sala de ensaio. Yorke dança. Em “Idioteque”, ele e Ed O’Brien cantam as letras um para o outro. Em “Jigsaw Falling Into Place”, Yorke e Greenwood se enfrentam em um duelo de guitarras.
Essas interações sugerem que a turnê é um ato de cura, apesar dos camarins separados. O futuro é incerto. “Não pensamos além da turnê”, disse Yorke. “Estou chocado por termos chegado até aqui.”
Os fãs, que saíram da O2 cantando “Karma Police”, esperam que tudo esteja em seu devido lugar para um retorno completo e duradouro do Radiohead.







