Brian May é, inegavelmente, um dos guitarristas mais aclamados e influentes do planeta. Com milhões de discos vendidos mundialmente ao lado do Queen, sua assinatura sonora é instantaneamente reconhecível, moldando gerações de músicos de rock. Brian May é, inegavelmente, um dos guitarristas mais aclamados e influentes do planeta.
No entanto, apesar de ser idolatrdo por incontáveis artistas e ter um lugar cativo no panteão do rock, May não se vê como o músico mais tecnicamente proficiente de seu instrumento. É uma postura de humildade que raramente se encontra em estrelas de sua magnitude.
Essa autoavaliação modesta talvez seja a razão pela qual, em muitas discussões acaloradas sobre quem seria o “melhor guitarrista de todos os tempos” – debates que muitas vezes se assemelham a um esporte de contato, onde a técnica pura é priorizada –, May é por vezes esquecido.
O Estudante Perpétuo e a Complexidade da Guitarra
Longe de se sentar em um trono de realizações e se recusar a descer, May prefere se enxergar como um eterno estudante. O músico, que é notoriamente humilde, está sempre buscando aprender e aprimorar sua arte, mas aceita que existem inúmeras habilidades que ele simplesmente não está equipado para executar no braço da guitarra.
Para alguém com tamanha reputação na indústria, Brian May mantém os pés no chão de uma maneira surpreendente. Sua avaliação honesta e brutal de seu próprio nível de habilidade é a prova de uma personalidade profundamente centrada e modesta, que não permite que seus feitos inflem seu ego.
De certa forma, Brian May nasceu na época ideal para ser guitarrista. Ele foi espectador privilegiado na década de 1960, vendo músicos inovadores rasgarem o livro de regras da música. Ele comentou à Guitar World: “Quando olho para trás, não acho que eu poderia ter nascido em uma época melhor. Tivemos muita sorte de crescer naquele período em que as coisas estavam explodindo e todos os limites estavam sendo rompidos”.
Embora muitas de suas principais influências venham dessa era de ouro, Brian May sempre manteve o ouvido atento, inspirando-se continuamente em artistas mais jovens do que ele. Essa atitude positiva é rara em músicos de sua geração e tem sido crucial para que ele permaneça em sintonia com a evolução constante da guitarra.
A Sinceridade Brutal: “Não estou no primeiro milhão”
Em uma entrevista franca, May foi direto ao ponto sobre sua posição técnica: “Eu não estou no primeiro milhão de guitarristas do mundo; eu sei disso. Há pessoas que eu ouço todos os dias que fazem coisas que eu nunca conseguiria fazer”.
Essa admissão, vinda de um membro do Queen, choca muitos fãs, mas reflete sua honestidade. O guitarrista então destacou um nome específico que, para ele, representa o ápice da técnica e da beleza: Nuno Bettencourt.
Bettencourt é mais conhecido por ser o guitarrista principal do grupo de rock de Boston Extreme, mas também toca ao vivo com artistas pop de peso, como Rihanna, demonstrando sua versatilidade.

Nuno Bettencourt: A Beleza Além do Alcance
Ao comentar sobre o talento de Bettencourt, May não poupou elogios: “Eu ouço Nuno Bettencourt e apenas sorrio porque é tão bonito e está tão fora do que eu jamais poderia fazer. Isso não me incomoda, porque não me sinto em competição. Eu simplesmente amo o cara e amo o que ele faz”.
É provável que May esteja exagerando um pouco em sua auto-depreciação. Afinal, um homem que possui vários discos de platina e um doutorado em astrofísica certamente teria a capacidade intelectual de se aprofundar tecnicamente no instrumento, se quisesse. Mas essa é a sua forma de ser, e essa humildade tocou profundamente o próprio Bettencourt.
Em 2020, Nuno Bettencourt foi ao Instagram para prestar homenagem a May, deixando claro o impacto que o guitarrista do Queen teve em sua jornada musical.
“Não há caracteres suficientes permitidos no IG para falar sobre como a forma de tocar, o tom, o gosto, a composição, a escrita, o canto e o intelecto de Brian May impactaram meu modo de tocar guitarra… impactaram meu TUDO. Sim, ele pode tocar como uma fera”, escreveu o músico luso-americano.
Para Bettencourt, Brian May não foi apenas um modelo de técnica (que ele reconhece como avançada para a época), mas sim um mestre em priorizar a música acima de tudo.
Ele acrescentou: “O elemento mais importante que aprendi com o Rei do Queen foi seu respeito máximo por A CANÇÃO. Como guitarristas, mal podemos esperar que nossas coleiras sejam removidas para atacarmos a música.
“Mas confiem em mim, se não fosse por Brian May, um dos poucos escolhidos, ele nos ensinou que é qualidade acima da quantidade. Que um guitarrista pode elevar uma música sozinho à estratosfera ou, egoisticamente, incendiá-la.”
Essa troca de elogios entre lendas do rock apenas reforça o caráter único de Brian May. Sua humildade não diminui seu legado; pelo contrário, permite que ele permaneça relevante e um entusiasta genuíno da música, independentemente do ranking ou da técnica de alta velocidade.







