Sabrina Carpenter e Casa Branca: Entenda a Polêmica da Música Pop e Imigração

Uma disputa acalorada tomou conta das redes sociais, colocando a estrela pop Sabrina Carpenter em rota de colisão com a Casa Branca. O centro da controvérsia é o uso não autorizado da música e da imagem da cantora em vídeos promocionais relacionados a operações de fiscalização de imigração, gerando uma forte reação e uma escalada de provocações.

Tudo começou com um vídeo publicado na conta oficial do X (antigo Twitter) da Casa Branca. O clipe de 21 segundos mostrava agentes da ICE (Immigration and Customs Enforcement) detendo migrantes, enquanto a letra “Have you ever tried this one?” (Você já tentou este?) da música “Juno”, de Carpenter, tocava repetidamente. A legenda, “Have you ever tried this one? Bye-bye”, acompanhada de emojis de aceno e coração, amplificava a mensagem.

A Polêmica se Inflama: Música Pop e Imigração

A reação de Sabrina Carpenter, de 26 anos, foi imediata e enfática. Na terça-feira seguinte à postagem, ela recorreu ao X para expressar seu descontentamento. “Este vídeo é malvado e repugnante“, escreveu Carpenter, sem rodeios. Ela deixou claro seu repúdio: “Nunca me envolvam ou a minha música para beneficiar a sua agenda desumana.”

A declaração da cantora rapidamente viralizou, chamando a atenção para a apropriação de obras artísticas por entidades governamentais para fins políticos, especialmente em questões tão sensíveis como a imigração. A postagem original da Casa Branca foi vista como uma provocação direta e um desrespeito à vontade da artista.

A Reação da Cantora e a Defesa Incisiva da Casa Branca

A porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, inicialmente defendeu o vídeo com uma declaração contundente a diversos veículos de comunicação. Em uma clara tentativa de zombar da artista, Jackson fez referência ao título do álbum de Carpenter, “Short n’ Sweet” (Curto e Doce), e a letras de seu single recente, “Manchild” (Homem-criança).

“Aqui está uma mensagem ‘Short n’ Sweet’ para Sabrina Carpenter: não pediremos desculpas por deportar assassinos, estupradores e pedófilos criminosos ilegais perigosos de nosso país”, declarou Jackson ao The Washington Post. Ela ainda acrescentou uma provocação pessoal: “Qualquer um que defender esses monstros doentios deve ser estúpido, ou é lento?” A postura agressiva da Casa Branca apenas jogou mais lenha na fogueira, intensificando a animosidade pública.

Apesar da defesa inicial, o vídeo original foi silenciosamente removido da plataforma X na sexta-feira, sem qualquer explicação oficial. No entanto, ele permaneceu no TikTok, embora com o áudio original, que incluía a música de Carpenter, removido. Essa remoção parcial sinalizou um recuo estratégico, mas a história estava longe de terminar.

A Escalada: Do Vídeo Removido à Edição do “Saturday Night Live”

Horas após a remoção do primeiro vídeo, a Casa Branca elevou o nível da disputa ao postar um novo clipe. Desta vez, o vídeo apresentava imagens editadas de um comercial promocional de outubro para a participação de Sabrina Carpenter no programa “Saturday Night Live” (SNL).

No promo original, Carpenter brincava com o membro do elenco Marcello Hernández sobre a necessidade de prender alguém por ser “too hot” (muito gostoso/atraente). A versão da Casa Branca, contudo, dublou o áudio, substituindo “hot” por “illegal” (ilegal), e em seguida cortou para uma montagem de prisões realizadas pela ICE. A legenda do novo vídeo dizia: “PSA: Se você é um criminoso ilegal, você SERÁ preso e deportado.”

Essa segunda manobra foi vista como uma resposta direta e deliberada à crítica de Sabrina Carpenter, transformando uma piada inofensiva de TV em propaganda política. A Casa Branca demonstrou não apenas a intenção de ignorar o pedido da artista, mas também de usar sua imagem de forma ainda mais provocadora e descontextualizada.

A controvérsia com Sabrina Carpenter se soma a uma lista crescente de artistas que se opuseram ao uso de suas músicas em vídeos promocionais da administração Trump. Nomes como Olivia Rodrigo, Kenny Loggins, Jess Glynne e a banda MGMT condenaram publicamente o uso não autorizado de suas canções nos últimos meses, destacando um padrão de desconsideração aos direitos autorais e à vontade dos criadores.

Este embate ilustra a tensão entre a cultura pop e a política, especialmente quando governos buscam capitalizar a popularidade de artistas para suas próprias agendas. A atitude da Casa Branca e a resistência de Sabrina Carpenter marcam mais um capítulo na complexa relação entre arte, fama e poder político.

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