A saga judicial em torno dos manuscritos originais das clássicas canções do Eagles, como ‘Hotel California’ e ‘Life In The Fast Lane’, parece ter chegado a um capítulo decisivo. Recentemente, um processo por acusação maliciosa, movido contra Don Henley, vocalista da banda, e seu empresário de longa data, Irving Azoff, foi arquivado. Essa decisão marca um ponto importante em uma complexa disputa legal que se arrasta há anos, envolvendo alegações de roubo, manipulação de evidências e acusações de conduta imprópria por ambas as partes.
A controvérsia central gira em torno de anotações e letras escritas à mão que, segundo estimativas, valem mais de US$ 1 milhão. Esses documentos, de grande valor histórico para os fãs e para a história da música, eram cobiçados por colecionadores e foram o pivô de uma série de embates nos tribunais de Nova York.
A Origem da Disputa: Manuscritos e Alegações de Roubo
A história começou a esquentar em 2022, quando três especialistas em colecionáveis – Glenn Horowitz, Edward Kosinski e Craig Inciardi, curador do Rock & Roll Hall of Fame – foram acusados de tentar vender os manuscritos originais de ‘Hotel California’ e ‘Life In The Fast Lane’. Don Henley alegava que os documentos haviam sido roubados, mas os acusados sustentavam que os haviam obtido legalmente.
De acordo com a defesa dos colecionadores, as folhas de letras foram adquiridas do autor Ed Sanders. Sanders, que foi contratado para escrever uma biografia do Eagles no final dos anos 70, teria vendido o bloco de notas a Horowitz, um negociante de livros raros, por US$ 50.000 em 2005. Essa transação, segundo eles, conferia legitimidade à posse dos documentos e à tentativa de venda.
O caso criminal inicial, contudo, teve um desfecho inesperado. Em meio ao julgamento, a juíza decidiu arquivá-lo, concluindo que Don Henley havia “manipulado” os promotores. A magistrada alegou que Don Henley e sua equipe legal “usaram o privilégio para obscurecer e esconder informações que acreditavam ser prejudiciais à sua posição de que as letras haviam sido roubadas”. Essa reviravolta chocou o cenário jurídico e a indústria da música, colocando Don Henley sob os holofotes de uma maneira controversa.
O Contra-Ataque: Processo por Acusação Maliciosa
Após o arquivamento do caso criminal, Don Henley continuou a afirmar que os documentos haviam sido roubados, apesar da decisão judicial. Foi nesse contexto que Glenn Horowitz, um dos acusados originais, decidiu revidar. Em fevereiro, Horowitz processou Don Henley e Irving Azoff por acusação maliciosa, alegando que a dupla havia manipulado os promotores de Nova York para que ele e outros dois homens inocentes fossem indiciados. A ação de Horowitz buscava reparação pelos danos à sua reputação e pelos custos legais incorridos.
Don Henley e Azoff, por sua vez, sempre negaram qualquer irregularidade. Eles argumentaram que o colapso do caso criminal anterior foi baseado em uma tecnicalidade e não em uma prova de sua má-fé. A defesa dos músicos apontava para a existência de causa provável para a acusação inicial, reforçando que as autoridades tinham motivos legítimos para investigar a posse dos manuscritos.
Vitória de Henley e Azoff: Arquivamento da Ação
No início deste mês, a justiça de Nova York deu razão a Don Henley e Irving Azoff. Uma juíza do tribunal de Nova York decidiu arquivar as alegações de acusação maliciosa contra a dupla, considerando-as legalmente deficientes. Essa foi uma vitória significativa para os artistas, que se viram novamente no centro de uma batalha judicial.
A juíza Kathleen Waterman-Marshall, em sua decisão, destacou que “houve ampla causa provável para a Promotoria iniciar um processo contra o Sr. Horowitz; de fato, um grande júri indiciou o Sr. Horowitz com base na investigação independente e de anos da Promotoria”. Ela ressaltou que o arquivamento do caso original no julgamento, após Don Henley apresentar documentos — nenhum dos quais foi considerado exculpatório para Horowitz —, “não resultou de qualquer conduta de má-fé por parte dos réus e, portanto, não altera este resultado”.
Em um comunicado à Billboard, o advogado de Henley, Dan Petrocelli, afirmou categoricamente: “A única acusação maliciosa foi a própria ação de Horowitz, que o tribunal prontamente e corretamente arquivou”. Essa declaração reflete a confiança da equipe jurídica de Henley na validade de sua posição ao longo de toda a disputa.
No entanto, a história ainda pode ter novos capítulos. A advogada de Horowitz, Caitlin Robin, declarou à Billboard que eles irão recorrer da decisão da juíza Waterman-Marshall. Além disso, Horowitz ainda tem um processo separado por acusação maliciosa pendente contra a cidade de Nova York. A batalha pelos manuscritos de ‘Hotel California’, embora tenha visto um resultado favorável a Henley nesta etapa, demonstra a complexidade e a persistência das disputas envolvendo itens de valor cultural e financeiro inestimável.







