Katy Perry está prestes a receber uma quantia significativa de volta em uma longa disputa imobiliária. Uma recente decisão judicial, datada de terça-feira, determinou que a superestrela pop deve recuperar US$ 1,8 milhão do preço de uma mansão de US$ 15 milhões em Montecito. Este veredito surge após uma batalha legal intensa e muito noticiada contra o empresário texano Carl Westcott, de 86 anos.
O juiz assinou uma ordem proposta que concede a Perry o valor, a menos que uma das partes apresente uma objeção viável nos próximos dez dias. Este montante visa compensar os danos sofridos pela cantora quando Westcott desistiu do acordo de compra e venda da propriedade em 2020, alegando falta de capacidade mental no momento da assinatura.
Westcott havia processado Katy Perry através de seu gerente de negócios, buscando anular a venda. No entanto, ele perdeu na primeira fase da batalha legal, um julgamento sem júri, onde a questão principal era a validade do contrato.
A Batalha Legal Pela Mansão de Montecito
A disputa sobre a luxuosa propriedade começou logo após Westcott assinar o contrato de venda com Perry em julho de 2020. Em poucas semanas, o empresário buscou desfazer o negócio, alegando que sofria de uma doença cerebral degenerativa, sintomas de demência e os efeitos de fortes analgésicos após uma cirurgia nas costas quando finalizou o contrato.
No julgamento de responsabilidade em 2023, Katy Perry e seus advogados apresentaram mensagens de texto, e-mails e depoimentos de testemunhas que demonstravam que Westcott estava alerta e lúcido durante a venda da propriedade em Montecito. As evidências mostraram que ele estava tão engajado que chegou a cortejar uma oferta rival de outra compradora de alto perfil, Maria Shriver, antes de fechar com Katy Perry.
Inicialmente, Katy Perry enfrentou críticas públicas por alegações de que estaria tentando forçar um veterano idoso e doente a sair de sua casa. Contudo, o julgamento revelou que Westcott havia comprado a propriedade costeira em 29 de maio de 2020, apenas seis semanas antes de assinar o acordo com a representante de Perry, Bernie Gudvi.
Os advogados de Gudvi argumentaram que Westcott pressionou seu corretor sobre quando a oferta inicial de Perry seria feita, rejeitou a proposta inicial de US$ 13,5 milhões e assinou uma contraoferta de US$ 15 milhões em 15 de julho de 2020. Ele ativamente organizou a visita de Katy Perry à sua propriedade e até criticou seu agente por solicitar uma comissão de cinco por cento.
Na decisão de 2023, que favoreceu Perry e ratificou o acordo, o juiz observou que o próprio especialista médico de Westcott não conseguiu “oferecer uma explicação convincente” que permitisse ao tribunal concluir que Westcott “carecia de competência” para assinar o contrato de venda.

Cálculos de Danos e a Decisão Final
Após a vitória de Perry na primeira fase, ela depositou US$ 9 milhões em custódia e assumiu o controle da propriedade em abril de 2024, deixando os US$ 6 milhões restantes do preço de compra pendentes do resultado da fase de danos. A cantora alegou que os quatro anos de espera para assumir o controle da propriedade a fizeram perder mais de US$ 3 milhões em renda de aluguel.
Além disso, Katy Perry argumentou que a “falta de manutenção” de Westcott durante o litígio causou US$ 2,29 milhões em reparos necessários para restaurar a propriedade à condição em que se encontrava em 2020. A propriedade inclui uma casa principal, uma casa de hóspedes de três quartos, uma casa de piscina de um quarto, uma academia, uma piscina e um edifício de equipamentos.
Em documentos judiciais, os representantes de Perry alegaram que a casa sofreu “danos generalizados por inundação” no início de 2024 e teve uma grande árvore que caiu sobre uma estrutura, rachando sua fundação. Westcott, por sua vez, alegou que Perry produziu apenas estimativas para o trabalho de reparo, não contratos ou recibos finais.
No entanto, o valor final concedido foi diferente. Katy Perry havia solicitado um total de US$ 4,7 milhões em danos durante a fase dois do julgamento, enquanto Westcott argumentou que seus danos deveriam ser limitados a apenas US$ 260.000. O juiz Joseph Lipner, do Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, encontrou um meio-termo em sua decisão proposta.
Ele determinou que Perry merecia US$ 2,8 milhões pelo valor de aluguel perdido enquanto a propriedade estava em litígio, e US$ 260.000 para reparos de itens como uma árvore caída e danos por água. Contudo, ele deduziu US$ 1 milhão porque Perry foi capaz de investir seu dinheiro em outro lugar durante a disputa, e porque Westcott perdeu juros sobre esse valor. A soma final, portanto, totalizou US$ 1,8 milhão.
O advogado de Westcott, Andrew J. Thomas, alegou em uma audiência que, após Katy Perry assumir o controle da casa, ela a alugou para o ator Chris Pratt e sua esposa, Katherine Schwarzenegger. Ele argumentou que a casa deveria estar em boas condições para que Perry atraísse inquilinos de tão alto perfil.
O advogado de Perry rebateu, afirmando que a cantora não buscava “reembolso” por seu trabalho já concluído, pois não era obrigada a restaurar a casa e, em última análise, fez algumas alterações. Ele alegou que a responsabilidade era de Westcott entregar a casa na condição do acordo de compra, e por essa razão, as estimativas de Perry refletiam o custo para retornar a propriedade à sua condição original.
A disputa de Katy Perry com Carl Westcott destacou a complexidade das transações imobiliárias de alto valor e as nuances da capacidade legal. Embora o desfecho traga um alívio financeiro para a artista, a saga sublinha a importância da clareza e da devida diligência em contratos tão significativos.






