Em 1969, os Rolling Stones passavam por uma transição significativa. A banda, que havia perdido o talentoso Brian Jones, recrutava o guitarrista de 20 anos Mick Taylor. Sua passagem pelos Stones, embora breve, foi marcante. Ao longo de cinco anos, Taylor deixou sua assinatura em álbuns icônicos como Sticky Fingers e Exile on Main Street, contribuindo para o som inovador que definiria a década.
Contudo, sua jornada com a banda de Jagger e Richards estava prestes a tomar um rumo inesperado. Praticamente tão rápido quanto havia chegado, Taylor anunciaria sua saída, citando diferenças criativas como o principal motivo. Foi nesse contexto de mudança e efervescência musical que, em 1974, os Rolling Stones alcançaram o topo das paradas de álbuns dos EUA com It’s Only Rock ‘n Roll, um trabalho que, ironicamente, seria o último a contar com a colaboração de Mick Taylor. Este álbum não apenas consolidou a posição da banda, mas também sinalizou um ponto de virada crucial em sua trajetória.
“It’s Only Rock ‘n Roll”: Um Marco para os Rolling Stones
O álbum It’s Only Rock ‘n Roll emergiu em um período de grande criatividade para os Rolling Stones. A faixa-título, em particular, tem uma história de origem fascinante, nascida no porão do guitarrista do Faces, Ronnie Wood. Coincidentemente, Wood acabaria por preencher a vaga deixada por Mick Taylor, solidificando seu lugar na lenda dos Stones. Sua casa era um verdadeiro caldeirão cultural, um ponto de encontro para músicos talentosos como George Harrison, Eric Clapton e David Bowie.
Ronnie Wood recorda a atmosfera vibrante desses encontros: “Antes que percebêssemos, ficávamos dias acordados bebendo, usando drogas e fazendo música“. Foi durante uma dessas lendárias jam sessions que Mick Jagger e David Bowie começaram a brincar com a frase “It’s only rock n’ roll, but I like it”. A inspiração veio de uma famosa frase de efeito do comediante britânico Dick Emery: “Ooh, você é terrível – mas eu gosto de você!”. Essa simples brincadeira se transformaria em um dos maiores hinos da banda.
“Todos nós sabíamos que era bom”, disse Wood, referindo-se à canção. “Mas ninguém pensou por um minuto que seria um sucesso tão grande.” O impacto foi inegável. It’s Only Rock ‘n Roll se tornou o quarto de oito álbuns consecutivos dos Stones a atingir o primeiro lugar nos EUA. No Reino Unido, a terra natal da banda, o álbum por pouco não alcançou o topo, chegando à segunda posição. O seu sucesso comercial e a força de suas composições o tornaram um clássico instantâneo, eternizando-o na discografia da banda.
A Conturbada Saída de Mick Taylor
A saída de Mick Taylor dos Rolling Stones foi oficialmente anunciada em janeiro de 1975, encerrando um capítulo intenso e produtivo na história da banda. As razões para sua partida eram múltiplas e complexas, mas uma das principais era a crença do guitarrista de que ele não estava recebendo o crédito adequado por suas contribuições. Taylor alegava ter participado ativamente da composição de diversas músicas.
Em especial, ele mencionava sua participação em faixas como “Till the Next Goodbye” e “Time Waits For No One”. Taylor expressou sua frustração: “Tive um desentendimento com Mick Jagger sobre algumas músicas em que senti que deveria ter sido creditado como coautor em It’s Only Rock ‘n Roll“. Ele também destacou a proximidade e a intensa colaboração que teve com Jagger durante a produção do álbum. “Éramos amigos bastante próximos e cooperamos de forma bastante próxima na produção desse álbum. Nessa época, Mick e Keith não estavam realmente trabalhando juntos como uma equipe, então eu passava muito tempo no estúdio.”
Essa perspectiva de Taylor contradizia uma declaração de Mick Jagger em uma entrevista de 1995 à revista Rolling Stone. O vocalista afirmou que Taylor “talvez tenha jogado um par de acordes” em “Time Waits For No One”, minimizando sua contribuição. Essa divergência de memória sobre os créditos de composição é um ponto sensível e revelador das tensões internas que culminaram na saída de Taylor. A perda de um guitarrista tão influente certamente deixou um vazio nos Rolling Stones, mas também abriu caminho para uma nova fase.
Apesar da controvérsia, o legado de Mick Taylor nos Rolling Stones é inegável. Sua técnica apurada e seu estilo melódico enriqueceram alguns dos momentos mais memoráveis da banda. It’s Only Rock ‘n Roll permanece como um testemunho de sua era, um álbum que capturou o som e o espírito de uma banda em constante evolução, mesmo enquanto se preparava para se despedir de um de seus mais talentosos integrantes. A música, como sempre, continuou a rolar.







