John Lennon - clássicos do rock
John Lennon - clássicos do rock

O álbum que fez John Lennon voltar a ser músico: “Minha ideia de diversão com música”

Qualquer músico com alguma trajetória vai encontrar momentos em que se perde um pouco. A maioria entra na indústria simplesmente por amar tocar para quem quer que esteja ouvindo, mas quando se chega ao nível de John Lennon, sempre há momentos em que é preciso retroceder e lembrar o que gerou aquela faísca inicial. Lennon, embora amasse compor desde seus primeiros acordes com Paul McCartney, era uma pessoa muito diferente ao fim da banda. Não havia chance de quem fez um álbum como *Plastic Ono Band* voltar a cantar “She Loves You”. Apesar de sempre impulsionar sua música, Lennon buscava contorcer a estrutura convencional do que podia fazer. Sim, era um compositor pop, mas queria espaço para se expandir, e as primeiras “camadas” pela paz foram a primeira vez que mergulhou de verdade no mundo das artes. *Sgt. Peppers* e *Abbey Road* foram obras de arte à sua maneira, mas quando o ex-Beatle decidiu posar nu na capa de *Two Virgins*, não era apenas para provocar. Ele queria desafiar as convenções do que uma estrela pop podia fazer, e embora isso funcionasse ao criar hinos de protesto pacífico, as coisas começaram a estagnar no meio da década de 1970.

A fase politicamente engajada e o desgaste criativo

Lennon sempre esteve disposto a se posicionar e defender suas crenças sempre que pegava um violão, mas lançar mais material político inevitavelmente causaria atritos. Mesmo que as pessoas concordassem totalmente com sua ideologia, chegou um ponto em que todos começaram a achar que Paul McCartney tinha razão em “Too Many People” sobre a sermonicidade de Lennon. Algo precisava mudar, mas Lennon não esperava que fosse tão rápido em *Mind Games*. Apesar de ele e Yoko Ono amarem trabalhar juntos, *Some Time in New York City* foi a primeira vez que perceberam que talvez estivessem causando mais mal do que bem aos seus processos criativos. Assim, enquanto a ideia de separação pesava na mente de Lennon ao trabalhar em seu quarto álbum solo oficial, ele relembrou essa fase com um estranho carinho por o ter tirado de sua rotina política.

A volta à essência musical

Ao falar sobre o álbum mais tarde, Lennon sentiu que finalmente havia retornado ao tipo de músico que sempre quis ser, dizendo: “Acabei de lançar *Mind Games*, que para mim foi como um disco intermediário entre ser um lunático político maníaco e voltar a ser um músico de novo. E *Mind Games* é como um cruzamento entre os dois. Eu estava realmente jogando jogos mentais, jogos mentais era o que era. Eu estava cansado de tentar ser profundo e pensar… ‘Por que eu não posso me divertir??’ E minha ideia de diversão com música era cantar.” O material político aparece aqui e ali no disco, mas uma das melhores partes de ouvir Lennon nesse período é ouvir experimentos musicais como os que ele fazia em seus dias de Beatle. Existem alguns rocks divertidos como “Tight A$” e “Meat City”, mas canções como “Out of the Blue” e “Aisumasen (I’m Sorry)” são olhares fantásticos em seu processo criativo, especialmente a primeira, que nem parece ter uma estrutura definida, semelhante a “Happiness is a Warm Gun”. Ainda há uma corrente sombria no disco, considerando a ausência de Yoko, mas a separação foi o que permitiu que Lennon descobrisse quem ele era. Ele poderia ser um artista igualmente brilhante sem a esposa ao seu lado, e nos anos seguintes, ele pareceu explorar diferentes partes de sua mente que haviam sido mantidas em segredo desde o fim do *Plastic Ono Band*.

A liberdade criativa após a separação

A separação, embora dolorosa, representou um ponto de inflexão na carreira de Lennon. Livrando-se da pressão de uma colaboração que, embora produtiva em certos aspectos, o havia aprisionado em uma determinada linha criativa, ele pôde se reconectar com a pura alegria de fazer música. O álbum, resultado dessa libertação, reflete essa nova energia e a busca por uma expressão mais autêntica. A espontaneidade e a experimentação musical voltam a ser elementos centrais, lembrando os anos de Beatlemania, mas com uma maturidade e profundidade adquiridas ao longo dos anos.

O legado de um álbum essencial

Esse álbum, que marcou o retorno de Lennon à sua essência musical, deixou um legado importante na sua trajetória e na história da música. Demonstrou a sua capacidade de se reinventar, de superar momentos de crise criativa e de manter sua relevância artística mesmo após a separação de sua parceria com Yoko Ono. A experiência dessa fase inspirou outros músicos a buscarem a autenticidade e a liberdade criativa em suas próprias carreiras. A lição principal é a importância de buscar o prazer e a satisfação pessoal na arte, sem se deixar aprisionar por pressões externas ou expectativas pré-concebidas.

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Tags: John Lennon, Música, Álbum, Beatle, Yoko Ono, Mind Games, Plastic Ono Band, Crise Criativa, Experimentação Musical, Música Pop, Retorno Musical

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