A morte de Ozzy Osbourne em 22 de julho de 2025 ressoou como um trovão na comunidade global do rock, deixando um vazio imenso no coração de fãs e colegas músicos. Horas após o anúncio da partida do lendário vocalista do Black Sabbath, o ícone do rock Alice Cooper, conhecido por sua própria persona teatral e som sombrio, prestou um tributo profundamente tocante durante seu show na Utilita Arena em Cardiff, País de Gales. A homenagem não foi apenas um momento de luto, mas uma celebração coletiva da vida e do legado de um dos artistas mais influentes que o mundo já conheceu.
Um Coral de Despedida em Cardiff
A atmosfera na Utilita Arena naquela noite, 22 de julho, era carregada de emoção. O público e a banda de Alice Cooper estavam cientes da perda do “Príncipe das Trevas”, e Cooper, com sua sensibilidade artística característica, transformou o final de seu concerto em um rito de passagem para um amigo e colega. Ao encerrar a apresentação, ele se reuniu com seus companheiros de banda no palco e, em nome de toda a produção, proferiu as palavras que ecoariam na noite galesa e nos corações de todos os presentes: “Vamos todos dar boa noite ao Ozzy“. Este simples, mas poderoso, convite resumiu o sentimento de uma comunidade que se despedia de um de seus pilares.
O momento se tornou ainda mais visceral quando Alice Cooper, com sua voz inconfundível, liderou a multidão galesa em um coro uníssono, um cântico hipnótico do nome do ícone: “Ozzy, Ozzy, Ozzy“. O som de milhares de vozes unidas em reverência a Osbourne deve ter sido uma demonstração arrepiante do amor e do respeito que ele inspirava. Após este tributo vocal, Cooper fez uma reverência, um gesto de respeito final que selou o momento de luto compartilhado. A performance ao vivo, uma homenagem direta e espontânea, foi um reflexo do choque e da tristeza que permeavam o mundo da música.
A Dualidade de Ozzy: Príncipe das Trevas e Bobo da Corte
Além do gesto no palco, Alice Cooper também divulgou uma declaração separada, oferecendo uma perspectiva mais íntima sobre a figura de Ozzy Osbourne. Ele escreveu: “O mundo inteiro está de luto por Ozzy esta noite”. A profundidade do respeito que Osbourne conquistou ao longo de sua extensa carreira entre seus pares e fãs globalmente foi destacada por Cooper, que o descreveu como um “artista incomparável e ícone cultural“. A análise de Cooper sobre a personalidade de Ozzy foi particularmente perspicaz, vendo-o como uma fusão de dois arquétipos distintos: “Eu sempre vi Ozzy como um cruzamento entre o príncipe das trevas, que é a persona que seus fãs viam, e o bobo da corte”. Esta última faceta, a do “bobo da corte”, era a que sua família e amigos mais próximos conheciam, revelando uma complexidade e um calor que iam além da imagem pública.
Cooper continuou, afirmando com convicção: “Ele foi e continuará sendo uma lenda do rock n roll“. Ele enfatizou a natureza intrínseca do rock como uma “família e uma fraternidade”, onde a perda de um membro é sentida profundamente, causando uma dor que “sangra”. A honestidade de Cooper sobre seu próprio arrependimento – “Eu gostaria de ter conhecido meu irmão Ozzy melhor” – adicionou uma camada de vulnerabilidade à sua homenagem, tornando-a ainda mais pungente. Suas orações foram enviadas à família de Ozzy: Sharon, Jack, Kelly, Aimee e “o resto da prole de Ozzy”.
A declaração de Cooper culminou em uma metáfora poderosa, descrevendo a partida de Ozzy como o “crash de uma rocha titânica“. Contudo, ele concluiu com uma nota de resiliência e a promessa de que “o rock continuará a rolar”. Esta analogia não apenas reconhece a magnitude da perda, mas também reafirma a natureza duradoura do gênero musical que Ozzy ajudou a moldar.
O Legado de um Rei do Rock
A morte de Osbourne ocorreu apenas algumas semanas depois que o Black Sabbath se reuniu para um show final em Villa Park, um evento histórico que marcou a primeira vez em mais de 20 anos que sua formação original tocou junta. Este concerto, que Ozzy realizou em parte de um trono devido a questões de mobilidade ligadas ao Parkinson’s, foi um “espetáculo de rock” em sua cidade natal que lhe proporcionou a despedida grandiosa que ele merecia. O evento arrecadou quase 200 milhões de dólares para diversas instituições de caridade, incluindo a Parkinson’s Cure, um testamento ao seu impacto não apenas musical, mas também filantrópico.
A homenagem de Alice Cooper em Cardiff foi um dos muitos tributos que inundaram o mundo após a notícia da morte de Ozzy. A profunda conexão entre Ozzy e seus fãs, e entre Ozzy e seus pares na fraternidade do rock, foi evidente na forma como Alice Cooper escolheu honrá-lo. Não foi apenas um ato formal de luto, mas uma interação genuína e participativa que permitiu a milhares de pessoas em Cardiff canalizar sua tristeza em uma despedida coletiva. Este momento encapsulou o espírito de camaradagem e respeito que Ozzy cultivou ao longo de sua vida, solidificando seu lugar não apenas como um músico, mas como um membro querido da família global do rock and roll. A noite em Cardiff se tornou um lembrete vívido de que, embora “uma rocha titânica tenha caído”, o som e o espírito do rock, tão intrinsecamente ligados a Ozzy Osbourne, “continuarão a rolar”. O legado do Príncipe das Trevas, alimentado pela paixão de seus fãs e pela admiração de seus colegas, viverá para sempre.