Thriller: Segredos da Obra-Prima de Michael Jackson
Thriller: Segredos da Obra-Prima de Michael Jackson

Thriller: Segredos da Obra-Prima de Michael Jackson

Michael Jackson teve um ano monumental em 1983, consolidando seu status de estrela global com o álbum “Thriller”. Vendendo milhões de cópias, ele também revolucionou o mundo da música com um dos clipes mais elaborados e populares de todos os tempos. Conheça a história e os segredos por trás do icônico Thriller video.

A Audácia de uma Ideia e o Desafio Financeiro

Em meados de 1983, quando “Thriller” começou a perder força nas paradas, Michael Jackson buscou maneiras de impulsionar o LP novamente ao topo. Frank DiLeo, chefe de promoções da Epic Records, sugeriu um terceiro vídeo musical para a faixa-título, “Thriller”, que nem sequer estava planejada para ser um single. A instrução foi clara: “É simples – tudo o que você tem que fazer é dançar, cantar e torná-lo assustador.”

O problema era o custo. A Epic Records, que já havia investido $250.000 em “Billie Jean” e feito Jackson arcar com $150.000 de “Beat It” do próprio bolso, recusou-se a financiar os quase $1 milhão estimados para o projeto de “Thriller”. Após uma discussão acalorada, Walter Yetnikoff da CBS Records ofereceu $100.000, deixando a equipe criativa em busca do restante.

A solução veio de uma ideia engenhosa: pré-vender os direitos de um documentário dos bastidores. A MTV, que nunca havia pago por conteúdo, contribuiu com $250.000, e a Showtime com $300.000. Michael Jackson, segundo o The Guardian, cobriu grande parte da diferença com seus próprios recursos, evidenciando sua dedicação ao Thriller video.

A Visão Cinematográfica e os Bastidores da Criação

Em agosto de 1983, Michael Jackson contatou o diretor John Landis, conhecido por filmes como a comédia de terror “Um Lobisomem Americano em Londres”. Jackson, fã da obra de Landis, queria que ele dirigisse o Thriller video e contasse outra história de lobisomens. Landis, por sua vez, rechaçou a ideia de um clipe musical comum e propôs uma abordagem cinematográfica, gravando em filme de 35 milímetros.

Thriller: Segredos da Obra-Prima de Michael Jackson

O enredo central girava em torno de um encontro que se transforma em pesadelo, com Jackson metamorfoseando-se em uma criatura monstruosa. A participação do mestre de maquiagem Rick Baker, de “Um Lobisomem Americano em Londres”, solidificou a visão. Embora inicialmente pensassem em uma criatura de quatro patas, a praticidade da dança ditou que o monstro de Jackson tivesse duas pernas. Rick Baker esclareceu que, tecnicamente, era um “werecat”, não um lobisomem.

Para o papel feminino, Jennifer Beals, estrela de “Flashdance”, recusou. Após uma busca extensa, Ola Ray foi escolhida. Landis a descreveu como “louca por Michael” e com um sorriso contagiante. Contudo, a descoberta de que Ray era uma ex-Playmate quase custou seu papel, devido às convicções de Jackson. Landis o convenceu, e os dois se deram muito bem nos bastidores.

Um elemento notável do vídeo é o disclaimer inicial: “Devido às minhas fortes convicções pessoais, desejo enfatizar que este filme de forma alguma endossa uma crença no ocultismo.” Essa declaração séria foi uma exigência de Jackson, um Testemunha de Jeová, após líderes de sua igreja expressarem preocupação de que o vídeo promovesse a adoração a demônios. Seu advogado sugeriu o disclaimer como uma solução para evitar a excomunhão.

Legado Duradouro e Impacto Inovador

O Thriller video transcendeu a mera promoção musical, tornando-se um marco cultural. Lançado como o sétimo e último single do álbum em janeiro de 1984, o clipe impulsionou as vendas do disco, que já era um sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias por semana no auge de sua popularidade. O álbum “Thriller” encerrou seu ciclo de vendas em 1984 como o mais vendido de todos os tempos nos EUA, com 33 milhões de cópias.

Além de redefinir o clipe musical como uma forma de arte cinematográfica, “Thriller” também inovou no mercado de home video. Em 1983, o documentário “Making Michael Jackson’s Thriller”, distribuído em VHS e Betamax pela Vestron Video a um preço acessível de $29,95, vendeu mais de um milhão de cópias em poucos meses, tornando-se o vídeo doméstico mais vendido da época e ajudando a impulsionar as vendas de videocassetes.

A importância do Thriller video é amplamente reconhecida. Venceu o Grammy de Melhor Álbum de Vídeo em 1984, foi eleito o #1 clipe de todos os tempos pela MTV em 1999 e pela VH1 em 2001. Em 2009, a Biblioteca do Congresso o incluiu no Registro Nacional de Filmes, reconhecendo-o como um “tesouro cultural, artístico e/ou histórico”.

Apesar de seu sucesso, a produção enfrentou desafios legais. Tanto a atriz Ola Ray quanto o diretor John Landis processaram o espólio de Jackson por participações nos lucros não pagas, com acordos sendo alcançados anos após a morte do artista.

A popularidade do Thriller video nunca diminuiu. Em 2009, 13.957 pessoas no México estabeleceram um recorde mundial dançando “Thriller” simultaneamente. O vídeo dos “CPDRC Dancing Inmates” das Filipinas, que viralizou em 2007, acumula mais de 59 milhões de visualizações, demonstrando a atemporalidade e o alcance global da coreografia e do legado de Michael Jackson.

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