Fechado desde 2019, o palco que recebeu The Beatles, The Rolling Stones e Morecambe e Wise depende de uma corrida comunitária para reviver sua glória.
Fechado desde 2019, o palco que recebeu The Beatles, The Rolling Stones e Morecambe e Wise depende de uma corrida comunitária para reviver sua glória.

O Cinema Onde os Beatles e Stones Tocaram: De Plymouth Rumo ao Resgate

Em Plymouth, no Reino Unido, um pedaço vibrante da história cultural enfrenta uma batalha crucial por sua sobrevivência. O Reel cinema, conhecido originalmente como Royal, na Derry’s Cross, é mais do que apenas um antigo cinema; é um verdadeiro portal para o passado, um palco que abrigou lendas e um sobrevivente notável.

Fechado desde 2019, este icônico edifício, que inaugurou suas portas em 1938, resistiu aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e hoje se vê no centro de uma nova luta. A comunidade local, através da Plymouth Royal Cinema Community Benefit Society, está determinada a arrecadar 1 milhão de libras para resgatá-lo e transformá-lo novamente em um espaço cultural efervescente.

Um Palco Para as Lendas: A Fascinante História do Royal

Imaginem um local onde o ar ainda parece ecoar as melodias de alguns dos maiores nomes da música e do entretenimento. O Royal, parte da lendária cadeia ABC nos anos 1960, foi exatamente isso. Seus palcos vibraram com a energia de bandas como The Rolling Stones e The Walker Brothers. Mas o ponto alto, sem dúvida, foi a presença dos Beatles, que se apresentaram ali por duas vezes memoráveis, solidificando o cinema em seu legado histórico.

Não foram apenas os Fab Four. O cinema também recebeu ícones britânicos como Billy Fury, Cliff Richard e The Shadows. Até mesmo a última performance no palco, em 1976, foi um evento de peso, com a dupla de comediantes Morecambe e Wise, garantindo que a despedida daquele palco fosse tão estelar quanto sua história.

Karl Parsons, presidente da sociedade que luta pela preservação, resume a essência do lugar: “Se um edifício tem alma, é este aqui”. Essa declaração encapsula o profundo laço emocional que a comunidade e os amantes da história da música e do cinema têm com o Royal.

Fechado desde 2019, o palco que recebeu The Beatles, The Rolling Stones e Morecambe e Wise depende de uma corrida comunitária para reviver sua glória.

Revitalizando um Ícone: A Visão Para o Futuro

A Plymouth Royal Cinema Community Benefit Society não busca apenas reabrir um cinema; eles têm um plano ambicioso e multifacetado. O objetivo é “revitalizar o edifício como um hub de mídia visual, um espaço comunitário, um local para música grassroots e como um destino que as pessoas queiram visitar”, explica Parsons.

A ideia é que o cinema tenha três salas, funcionando mais como um “cinema boutique de arte”, oferecendo uma experiência única sem competir com as grandes redes. Essa abordagem visa criar um ambiente acolhedor e focado na curadoria, enriquecendo a oferta cultural de Plymouth e atraindo um público diversificado que valoriza a arte e a história.

Para Chris Robinson, historiador de Plymouth, a importância do local é inquestionável. Ele o descreve como “um dos cinemas mais importantes que restam no país”. William Riddle Glen, o arquiteto que projetou cerca de 70 cinemas para o grupo Associated British Cinema (ABC), foi uma lenda, e o Royal é um dos únicos projetos dele com chances reais de continuar a ser um cinema. “Todos os outros fecharam”, lamenta Robinson, enfatizando a singularidade da oportunidade de salvamento do Royal.

Memórias Que Pulsam e a Urgência da Campanha

O cinema é um caldeirão de memórias. Ian Carroll, um dos ativistas da campanha “Save the Royal”, recorda com carinho a emoção de tentar assistir ao filme “Grease” em 1978. “Fiz fila em volta do quarteirão e, quando cheguei à frente, os ingressos estavam esgotados, então tive que voltar no dia seguinte”, conta. “Naquela época, você podia ir ao cinema e era assim tão lotado”, reflete, mostrando como o local era um ponto de encontro e entretenimento vital para a cidade.

Caroline Blackler, outra fervorosa defensora da causa, reforça o apelo emocional: “Milhares de pessoas passaram pelas portas deste cinema desde 1938. Elas assistiram a filmes, viram comediantes, viram bandas; há tantas memórias dentro deste edifício que temos que salvá-lo.”

O tempo é curto. Karl Parsons adverte que a sociedade tem apenas alguns meses para arrecadar o dinheiro necessário para fazer uma oferta pelo arrendamento. A campanha “Save the Royal” é, portanto, uma corrida contra o relógio, um esforço coletivo para garantir que o legado cultural do Reel cinema, suas histórias de resiliência e seu potencial futuro, não se percam para sempre. Salvar este cinema é preservar um pedaço da história de Plymouth e garantir que as futuras gerações possam criar suas próprias memórias neste espaço verdadeiramente mágico.

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