A marca JBL é um nome familiar para muitos, seja nos fones de ouvido que usamos diariamente, nas caixas de som que animam festas ou nos sistemas de áudio que transformam ambientes. Presente em cada esquina, em diversas lojas e eventos, sua onipresença faz com que poucos se perguntem sobre a rica história por trás desses produtos inovadores. Mas qual é a jornada que levou a JBL a se tornar a gigante que conhecemos hoje?
Poucos sabem que o nome JBL é, na verdade, uma homenagem ao seu visionário fundador: James Bullough Lansing. Sua trajetória é um exemplo de paixão pela engenharia do som e determinação. Nascido em 1902, James Martini, filho de um minerador de carvão e o 11º de 14 filhos, trocou o nome por James Bullough Lansing, usando um sobrenome emprestado de uma família que o abrigou por um tempo. Antes de se dedicar ao áudio, ele acumulou experiências diversas, de mecânico de carros a técnico de rádio.
O Legado de um Pioneiro: James B. Lansing e os Primeiros Anos da JBL
A vida de James B. Lansing tomou um novo rumo após a perda de sua mãe em 1924, o que o motivou a se mudar de Illinois para Salt Lake City. Foi lá que ele conheceu a futura esposa, Glenna Peterson, e um parceiro de negócios fundamental, Ken Decker. Em 1927, os dois se mudaram para Los Angeles e fundaram a Lansing Manufacturing Company, dedicada à fabricação de alto-falantes, megafones e outros componentes de áudio.
Nessa época, o rádio era a grande novidade, e o cinema começava a experimentar com o som, culminando no lançamento de “O Cantor de Jazz”, o primeiro filme sonoro da história. Studios como a MGM buscavam especialistas para aprimorar o áudio nas salas de cinema. Lansing, com sua expertise tecnológica, foi o nome certo. O resultado foi o famoso Shearer Horn, um conjunto de alto-falantes de múltiplas cornetas e alta fidelidade, que se tornou padrão na indústria e rendeu um Prêmio da Academia por excelência técnica em 1937. O sucesso continuou com o Iconic, uma versão em miniatura do Shearer Horn.
No entanto, a década de 30 terminou com uma tragédia: Ken Decker, seu sócio, morreu em um acidente de avião. A empresa entrou em crise administrativa e, para sobreviver, foi vendida em 1941 para a Altec, uma companhia de áudio fundada por ex-funcionários da Western Electric. A empresa passou a ser conhecida como Altec Lansing, e nessa fase, produtos como o lendário 604 e o Voice of the Theatre – um sistema de som personalizado para cinemas – foram lançados. Durante a guerra, a empresa também contribuiu com equipamentos de rádio e áudio para uso militar.

Nascimento e Consolidação da JBL: Uma Marca que Mudou o Som
Após cinco anos sob o guarda-chuva da Altec, o contrato de apoio terminou. Em 1º de outubro de 1946, nascia a Lansing Sound Inc., que viria a se chamar James B. Lansing Sound e, finalmente, em 1955, JBL. O alto-falante D101 e o driver de alta frequência D175 foram alguns dos primeiros produtos dessa nova fase. Infelizmente, James Lansing não presenciaria o crescimento de sua empresa: em 1949, ele faleceu, deixando a companhia para seu vice-presidente, William Thomas. Foi Thomas quem conduziu os negócios nos anos seguintes, respeitando o legado e a visão do fundador.
Na década de 50, a JBL firmou uma parceria lendária com a fabricante de instrumentos musicais Fender. O alto-falante de 15 polegadas D130F foi incorporado aos amplificadores de guitarra da Fender, tornando-se o equipamento favorito de músicos icônicos como Jerry Garcia. A marca esteve presente no lendário festival de Woodstock, e o produtor George Martin, dos Beatles, importou os sistemas JBL para o Reino Unido. Nesse período, o Voice of the Theatre foi adotado como padrão de exibição em salas de cinema, e outros produtos como o sistema Hartsfield D54, o icônico Paragon D44000 (cujo design, de Arnold Wolf, também inspirou o logo da JBL) e o Olympus marcaram presença em estúdios de gravação e estações de TV.
Expansão Global e Inovação Constante: A JBL na Era Moderna
Em 1969, um novo capítulo se iniciou para a JBL quando a Harman International Industries, que viria a ser uma gigante do áudio, adquiriu a empresa. Essa aquisição impulsionou a JBL a novos patamares. Nos anos 70, a marca lançou o L100 Century, seu modelo de alto-falante mais vendido até então, relançado em versão retrô em 2018. A empresa conquistou a Europa e o Japão, com destaque para seus monitores de referência, como os modelos da série 43XX, que se tornaram cobiçados por profissionais e audiófilos.
A década de 80 viu a JBL expandir seu foco para o consumidor final, sem abandonar o mercado profissional de estúdios e cinemas. O modelo L250 foi o top de linha. Em 1982, a JBL inovou ao ser a primeira a usar titânio em diafragmas de alta frequência, aprimorando significativamente a qualidade do som. A marca delineou claramente suas linhas de produtos: a série Northridge, em homenagem à cidade sede, e as séries de alta performance como a Everest, com modelos renomados como o DD55000 e o S9500. A JBL também se tornou parceira de George Lucas, sendo uma das bases para o sistema de áudio licenciado THX.

Os anos 90 trouxeram avanços técnicos com novos designs internos de alto-falantes e o uso de ímãs de neodímio, culminando no lançamento do sistema de alto-falantes portáteis EON em 1995. Nos anos 2000, destacaram-se a linha de alto-falantes profissionais VRX 900 e o sistema VTX, usados em grandes eventos como convenções partidárias e o Grammy. Em 2002, a JBL recebeu outro Prêmio da Academia por excelência técnica, desta vez pelo conceito e engenharia dos alto-falantes de cinema JBL 4675. Em 2004, a marca inovou com um dos primeiros docks para iPod do mundo, ampliando as capacidades sonoras do player. A década de 2010 viu o lançamento do monitor de referência M2 e, em 2012, a popular caixa de som Flip, que revolucionou o segmento de caixas portáteis.
Mais recentemente, a JBL continuou a inovar. A empresa chegou a lançar um módulo para a linha Moto Z da Motorola, transformando o smartphone em uma caixa de som. Em 2016, a Samsung adquiriu a Harman, tornando a JBL parte da gigante sul-coreana. No Brasil, a marca ganhou ainda mais força a partir de 2010, com a compra da fabricante nacional Selenium. O público brasileiro abraçou as caixas de som portáteis da JBL por sua conectividade e acessibilidade, e o setor automotivo da marca também é muito forte, com fábricas em Manaus e Nova Santa Rita (RS).
Apesar do sucesso, a JBL enfrenta um desafio: a pirataria. Caixas de som falsificadas com o logo da marca são vendidas a preços atraentes, mas com uma qualidade muito inferior aos produtos originais. É essencial estar atento na hora da compra para garantir a autenticidade e a qualidade lendária da JBL. A JBL, hoje conhecida por suas caixas e fones de ouvido portáteis, carrega consigo uma vasta e fascinante história de inovação, pioneirismo e paixão pelo som.







