Qualquer um com um conhecimento mínimo dos Beatles sabe que o quarteto de Liverpool mudou o curso do rock and roll para sempre. No entanto, como John Lennon certa vez declarou de forma contundente: “Se você tentasse dar outro nome ao rock and roll, poderia chamá-lo de Chuck Berry”.
Essa frase resume a magnitude da contribuição de Berry, um dos principais arautos da revolução do rock ‘n’ roll nos anos 1950. Sua guitarra Gibson de corpo oco foi essencial para transformar os sons contagiantes do R&B na emergente rebelião do rock.
Hinos icônicos, como ‘Johnny B Goode’ e ‘Roll Over Beethoven’, com seu famoso gingado, estabeleceram Berry internacionalmente e garantiram que seu legado perdurasse muito além de seu auge.
O Pioneiro Inovador e Seus Desafios
Embora Chuck Berry tenha construído uma extensa discografia de obras-primas guiadas pela guitarra, muitas vezes reutilizando riffs e melodias de uma canção para outra, o verdadeiro poder do pioneiro residia na influência que ele transmitiu às gerações futuras.
A primeira era do rock foi efêmera. No início dos anos 60, Berry corria risco de se tornar uma relíquia do passado.
Sua presença diminuiu, especialmente após cumprir uma sentença de prisão de três anos em 1961. Contudo, seu legado musical foi levado adiante pela próxima leva de roqueiros.
Lennon, os Beatles e a Adoração Musical
Foi essa nova geração que encontrou inspiração nos sons inovadores de ‘Johnny B Goode’. Os Beatles estavam na vanguarda desse movimento, adorando artistas como Berry e Little Richard, e expressando essa admiração através de covers.
Particularmente nos primeiros anos, enquanto os Beatles buscavam seu caminho como compositores, eles incluíam rotineiramente covers de Berry em seus shows. O sucesso foi tanto que uma versão de ‘Roll Over Beethoven’ entrou no álbum de 1963, *With The Beatles*.
Mesmo após o despertar psicodélico dos Fab Four em 1965, que levou seu som a caminhos audaciosos, longe do som ‘arcaico’ de Chuck Berry, John Lennon jamais esqueceu a influência do guitarrista.
A Conexão Pessoal e os Covers de 1975
A apreciação de Lennon por Berry era tão duradoura que persistiu muito depois do fim dos Beatles em 1970. De forma memorável, os dois se encontraram enquanto se apresentavam juntos em uma edição de 1972 do programa *The Mike Douglas Show*.
Na ocasião, o pioneiro do rock não pareceu impressionado com os vocais vanguardistas de Yoko Ono. Isso, porém, não ofendeu Lennon, que gravou dois covers do guitarrista para seu álbum *Rock ‘n’ Roll* de 1975.
Embora o amor de Lennon pelos estilos pioneiros de rock de Berry tenha influenciado sua decisão de regravar ‘Sweet Little Sixteen’ e ‘You Can’t Catch Me’, havia outras influências. Legalmente, ele era processado por Morris Levy.
O motivo: sem semelhanças sonoras entre ‘Come Together’ (Beatles) e ‘You Can’t Catch Me’ (Berry). Levy detinha direitos do catálogo de Berry, e Lennon incluiu os covers para apaziguar a disputa e resolver o processo.
De uma forma ou de outra, os dois covers são destaques desse álbum. A admiração de Lennon por seu herói Berry está impregnada nas performances, mesmo que a motivação original tenha sido uma ação legal.
Essa teia de respeito artístico e obrigações legais sublinha a importância inegável de Chuck Berry. Ele foi um arquiteto do rock, cuja visão e riffs continuam a ecoar, chegando ao coração de John Lennon.







