Dinosaur Pile-Up
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Doença Crônica Mudou a Vida do Frontman do Dinosaur Pile-Up: Uma História de Resiliência

Nos últimos anos, quando perguntado sobre como se sentia, Matt Bigland, vocalista do Dinosaur Pile-Up, respondia com um encolher de ombros e um simples: “Poderia estar melhor”. Essas poucas palavras, no entanto, mal arranham a superfície do trauma que o frontman enfrentou. A jornada de doença crônica do músico impactou profundamente sua vida e carreira, resultando em um novo álbum que reflete essa experiência.

Diagnóstico e Luta Contra a Doença

Um Corpo Transformado

Em 2019, Bigland adoeceu. Inicialmente diagnosticado com doença de Crohn, o problema foi posteriormente corrigido para colite ulcerativa. A doença se manifestou de forma devastadora. Em um determinado momento, ele sofreu um sangramento interno; em outro, seu corpo ficou coberto de feridas. Seu físico mudou drasticamente, com uma perda de peso rápida e o que ele descreve como “rosto de lua” – inchaço facial devido à redistribuição de gordura e retenção de líquidos – como efeito colateral do uso intenso de esteroides, enquanto os médicos buscavam um tratamento eficaz. Em fevereiro de 2021, ele se internou. “Eu não tinha poder – física e espiritualmente – e isso foi horrível“, conta. “Eu estava super vulnerável. Não me sentia eu mesmo, e definitivamente não me sentia como o cara da banda que todos conheciam.”

O Silêncio nas Redes Sociais e o Mistério para os Fãs do Dinosaur Pile-Up

O público não tinha ideia do que estava acontecendo, principalmente porque Bigland se afastou das redes sociais. Todos o conheciam como o frontman de uma banda amada, Dinosaur Pile-Up é conhecida por seus shows explosivos de alt-rock, despretensiosos e cheios de energia. Formada em Leeds em 2007, a banda havia lançado quatro álbuns e feito shows de abertura para grandes nomes do rock britânico, conquistando uma base de fãs leais. Até ele compartilhar sua história nas redes sociais em dezembro de 2024, alguns fãs presumiram que a banda havia se separado. Afinal, não lançavam um álbum desde “Celebrity Mansions”, de 2019, gravado após um período conturbado em que estavam falidos, esgotados e sem gravadora. Bigland também estava preso em um relacionamento tóxico, que ele acredita ter contribuído para sua doença. “Aquela situação era muito pressionadora, e durou muito tempo“, diz ele. “Tenho quase certeza de que o resultado disso foi eu ficar doente.

A Música Como Cura e a Força do Amor

A Decisão de Seguir em Frente

Após suas prolongadas dificuldades de saúde, agravadas pelo isolamento devido à pandemia de Covid-19, ele cogitou abandonar a música e sua banda Dinosaur Pile-Up. Mas, como ele mesmo afirma: “Eu tinha músicas… Eu queria escrever mais“, diz ele. “Amo o que criamos como banda, e temos uma comunidade incrível. Parecia muito triste simplesmente jogar isso fora.

Um Novo Álbum, Uma Nova Esperança

Recuperando suas forças, ele e seus companheiros de Dinosaur Pile-Up se reuniram para escrever um novo álbum, intitulado “I’ve Felt Better”, em homenagem à sua jornada. O álbum reflete a energia frenética de um homem desesperado para voltar ao que amava, mas acima de tudo, tinha que ser divertido. “Eu não quero reclamar sobre tudo isso. Há partes mais tristes e introspectivas do álbum, mas também há muita frustração que eu queria expressar em músicas de festa super divertidas. Foi interessante tentar articular minhas frustrações de uma forma que as pessoas ainda quisessem headbangar.

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Encontrando o Amor em Meio à Dor

Em meio à adversidade, Bigland encontrou um amor que o ajudou a superar seus desafios. Ele conheceu a cantora punk brasileira Karen Dio online em 2020, e os dois se apaixonaram rapidamente, conversando todos os dias, mesmo quando ele estava sofrendo. “Não foi difícil“, diz ele sobre manter o relacionamento. “Na quarta vez que conversamos ao telefone, eu sabia que íamos casar. Foi tão estranho e intenso – aquele clichê de as pessoas dizerem, ‘Quando você sabe, você sabe’, mas era irritantemente verdadeiro. Karen se tornou a minha motivação. Quando eu estava no hospital, eu pensava, ‘Eu tenho que descobrir isso e sair daqui, porque Karen está aqui’.” Em seus piores momentos, ele olhava para uma foto de um anel de noivado em seu celular. Eles se casaram em abril de 2022.

Lições de Resiliência e a Busca por Equilíbrio

A Importância dos Relacionamentos e a Mudança de Perspectiva

Apesar dos desafios que ainda existem, Bigland se prepara para sua fase mais intensa de turnês desde que adoeceu, tanto com o Dinosaur Pile-Up quanto como guitarrista da banda de Dio. Uma parte significativa de seu orçamento para turnês é destinada à medicina chinesa, que se mostrou a forma mais eficaz de controlar seus sintomas. “Com doenças autoimunes, fadiga, estresse e má alimentação são completamente proibidos – e isso é exatamente o que as turnês são“, diz ele. “Eu tenho que ser muito cuidadoso. Eu vou descobrir como fazer.

A experiência de quase morte que ele teve no hospital lhe ensinou uma lição valiosa: “Nada realmente importa. A única coisa que importa é o tempo com seus entes queridos. Não é status, hierarquia, o que é legal ou não, itens materiais ou qualquer outra coisa. É sobre o tempo com as pessoas que você ama“, diz ele. “Eu aprendi sobre resiliência, e aprendi isso com muita dificuldade. Às vezes não é sobre a maior demonstração de força, ou a mais visível demonstração de força. É sobre simplesmente passar por algo em silêncio.

A jornada de Matt Bigland é um testemunho de resiliência, da força do espírito humano e da importância de priorizar as relações humanas acima de tudo. Sua história, contada através de sua música e de sua vida pessoal, inspira a todos a buscarem equilíbrio e a valorizarem o que realmente importa.

Tags: doença crônica, resiliência, saúde mental, música, Dinosaur Pile-Up, Matt Bigland, colite ulcerativa, turnê, relacionamento, álbum, autoimune.

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