O lendário baixista David Ellefson, cofundador do Megadeth, mergulhou no universo do Metallica para o álbum tributo “No Life ‘Til Leather – A Tribute To Metallica’s Kill ‘Em All”. Sua contribuição foi uma poderosa versão da instrumental “(Anesthesia) – Pulling Teeth”, um clássico de Cliff Burton. Mais do que uma simples regravação, Ellefson concebeu sua performance como uma verdadeira “salva a Cliff Burton como artista”.
Em entrevista, Ellefson detalhou sua participação e a profunda conexão que sente com o legado de Burton. Ele buscou expandir a homenagem além da faixa em si, incorporando outros elementos musicais que ele considera definitivos na obra do icônico baixista do Metallica. Essa abordagem revela a admiração e o respeito de um mestre do baixo por outro, transcendendo a rivalidade histórica entre as bandas.
A Homenagem Ampliada de Ellefson a Cliff Burton
Para Ellefson, “(Anesthesia) – Pulling Teeth” é apenas um ponto de partida para honrar Cliff. Ele menciona outras composições de Cliff que considera emblemáticas. “Para mim, claro, é ‘Peace Sells’. Esse é o meu riff — essa é a minha estrela que me foi abençoada”, compara Ellefson, referindo-se a baixistas que têm seus próprios riffs de assinatura, como Geezer Butler do Black Sabbath com ‘N.I.B.’ e Steve Harris do Iron Maiden com ‘Wrathchild’.
Ele prossegue: “E então pensei nos riffs de assinatura de Cliff. E, claro, há vários dentro desta peça musical com ‘Anesthesia’. Mas também pensei, ‘For Whom The Bell Tolls’, esse é o seu ‘Peace Sells’. Quando você ouve ‘For Whom The Bell Tolls’, esse é realmente o riff dele”. Ellefson também expressa grande apreço por ‘Orion’ e considera “Master Of Puppets” um de seus álbuns favoritos de metal e do Metallica.
Uma Conexão Pessoal e o Trágico Fim
A relação de Ellefson com Cliff Burton não foi apenas de admiração à distância. Ele recorda ter tido a oportunidade de conversar com Cliff em 1986. Naquela época, o Metallica estava em turnê com Ozzy Osbourne, promovendo o álbum “Master Of Puppets”. Ellefson e Dave Mustaine foram ver a banda, e foi nesse contexto que Ellefson pôde interagir com Burton.
“Eu conversei um pouco com Cliff sobre algumas de suas composições em ‘Master Of Puppets’”, contou Ellefson. Infelizmente, essa troca foi breve, pois poucas semanas ou meses depois, Burton faleceu tragicamente. Embora nunca tenham “trocado ideias com os baixos na mão”, as conversas e a observação das performances de Cliff foram significativas para Ellefson. Ele descreve sua versão de “(Anesthesia)” como uma “homenagem a Cliff”, um tributo a ele como artista.
A Gênese do Som do Megadeth e as Influências Pessoais
É fascinante notar que, inicialmente, David Ellefson não tinha conhecimento de Cliff Burton ou do Metallica. Quando conheceu Dave Mustaine em junho de 1983, Mustaine havia acabado de ser dispensado do Metallica. A única gravação que Mustaine tinha da banda era a demo “No Life ‘Til Leather”, que contava com Ron McGovney no baixo.
Ellefson revelou: “Minha experiência com o baixista do Metallica foi Ron, acredite ou não, e eu meio que modelei o que fizemos a partir daquela demo ‘No Life ‘Til Leather’”. Sua primeira verdadeira experiência com o trabalho de Cliff Burton veio com o lançamento do álbum “Kill ‘Em All”. Ele descreve o momento de silêncio na sala enquanto ele e Mustaine ouviam o álbum pela primeira vez, notando as diferenças e, claro, o solo de baixo em “(Anesthesia)”.
No entanto, Ellefson enfatiza que Burton não foi sua principal influência durante os anos formativos do Megadeth. Crescendo em uma área rural de Minnesota, ele se inspirou mais em baixistas de jazz, além de ícones do metal como Steve Harris (Iron Maiden), Geddy Lee (Rush) e Ian Hill (Judas Priest). “Eu fui mais para o mundo do jazz… Mas essas foram as coisas que eu trouxe, e acho que isso fez, eu e Dave, nossa participação juntos com o som do Megadeth algo que era único”, explica.
Essa fusão de influências, especialmente com a inclusão de músicos de jazz-fusion como Gar Samuelson e Chris Poland no Megadeth, resultou em um som distintivo. “Realmente tínhamos um som muito diferente — diferente até de Anthrax, de Metallica, de Slayer — um som muito diferente”, conclui Ellefson, destacando como essa originalidade ajudou a consolidar o Megadeth como um dos pilares do ‘Big Four’ do thrash metal. A compilação “No Life ‘Til Leather – A Tribute To Metallica’s Kill ‘Em All”, que conta com a marcante contribuição de Ellefson, está disponível em vinil, CD e formatos digitais.







