A história de Corey Taylor é um testemunho de resiliência e força, uma verdadeira anomalia em um universo que parecia programado para sua derrota. Antes dos 16 anos, ele já havia sofrido overdose, tentou tirar a própria vida aos 17, vivenciou a vida nas ruas e a dependência química. Contudo, contra todas as probabilidades, tornou-se vocalista de duas bandas multiplatinadas, esgotou arenas usando uma máscara e, mais tarde, figurou na lista de best-sellers do New York Times com quatro livros. Corey Taylor não é apenas o frontman do Slipknot; ele é a prova viva de que é possível vencer o caos e a dor.
A Infância Marcada por Trauma e Instabilidade
Nascido em 8 de dezembro de 1973, em De Moine, Iowa, Corey teve uma infância desafiadora. Criado por uma mãe solteira e “arrastado” por diferentes estados dos EUA devido a uma batalha de custódia, ele viveu em cerca de 25 lugares antes de poder dirigir. Essa constante mudança, aliada à falta de recursos, gerou uma profunda ausência de segurança.
Seu pai foi uma figura ausente em grande parte de sua vida, só o conhecendo aos 30 anos. Essa falta de base familiar e proteção moldou uma personalidade hiperprotetora e, ao mesmo tempo, vulnerável. Aos 10 anos, Corey Taylor enfrentou um trauma privado que só seria revelado publicamente décadas depois: foi **abusado sexualmente** por um vizinho de 16 anos. Este evento, somado à negligência, o deixou exausto, sem orientação nem rede de apoio, apenas com o trauma se repetindo.
Como muitos jovens quebrados, ele buscou algo para “desligar o barulho”. Aos 13, começou a usar cocaína e speed e, aos 15, teve duas overdoses. Uma delas o fez acordar em uma caçamba de lixo. Foi nesse período que a avó, Thelma, interveio, concedendo-lhe **custódia legal** e oferecendo a tão necessária estabilidade. Ela também o apresentou à música, com uma pilha de fitas de Elvis Presley, um convite acidental para o mundo do rock que se tornaria sua terapia.
A Música como Refúgio e Redenção
Aos 17 anos, Corey Taylor atingiu um novo fundo do poço. Morando intermitentemente nas ruas por cerca de dois anos, carregando suas roupas em um saco de lixo, ele tentou o suicídio novamente. A decepção de sua avó ao visitá-lo no hospital foi um divisor de águas: percebeu que estava ferindo a pessoa que mais amava. Essa experiência o libertou, permitindo-lhe correr em direção à única coisa que fazia sentido: a música.
A escrita e a música tornaram-se seu **”grito primal”**, uma forma de expressar a raiva e a tristeza sem perder a sanidade. Em 1992, em De Moine, ele cofundou o Stone Sour, uma banda de hard rock onde transformava a dor de sua vida em letras poderosas. Em 1997, o Slipknot, uma banda mascarada de nove membros da mesma cidade, o chamou. Corey, sentindo que o estilo teatral e pesado do Slipknot oferecia uma tela mais ampla para sua criatividade, tomou a difícil decisão de pausar o Stone Sour e se juntar a eles. Sua voz, com um alcance que ia de gritos rasgantes a melodias assombrosas, era a peça que faltava, catapultando o Slipknot para o estrelato global.

Mesmo com a loucura do Slipknot, Corey Taylor ainda ansiava por um espaço para sangrar seu lado mais melódico. Reviveu o Stone Sour, lançando o álbum de estreia em 2002, que se tornou ouro. O sucesso de faixas como “Bother” e “Through Glass” silenciou os críticos e provou sua versatilidade vocal. Sua carreira solo, iniciada em 2020 com o álbum CMFT, mostrou um **Corey sem máscaras**, explorando rock, punk, blues e rap, com letras que pareciam “folhear seu cérebro”: cruas, honestas e às vezes barulhentas.
Além dos Palcos: Autor, Voz e Legado
A mente de Corey Taylor transbordava ideias demais para caber em músicas de três minutos. No final dos anos 2000, ele começou a escrever livros, demonstrando ser um autor com algo real a dizer. Sua estreia, **”Seven Deadly Sins”**, um best-seller do New York Times, era uma confissão brutal e humorística sobre os pecados que ele havia vivido. Seguiram-se **”A Funny Thing Happened on the Way to Heaven”**, explorando o paranormal, **”You’re Making Me Hate You”**, uma gloriosa crítica à idiotice moderna, e **”America 51″**, um apelo à razão em meio à polarização política, onde ele citava Voltaire e clamava por bom senso.
A vida de Corey Taylor também foi marcada por lutas pessoais contínuas. Atingiu o fundo do poço novamente em 2003, quando sua então esposa e um amigo o impediram de pular de uma sacada de hotel. Após um ultimato, ele começou a se limpar, e a morte de Paul Gray, em 2010, o levou a se dedicar seriamente à sobriedade. Largar o álcool, as drogas e o fumo não só lhe devolveu a voz, mas também uma nova perspectiva.
Hoje, Corey Taylor divide seu tempo entre Iowa e Las Vegas, desfrutando de uma vida mais “normal” ao lado de sua esposa, Alicia Dove, e seus filhos. Ele lê romances de terror, joga videogames e continua a ser uma voz ativa na discussão sobre **saúde mental**, compartilhando sua história e encorajando outros a buscar ajuda. Corey Taylor não é apenas uma força da natureza no rock; ele é um símbolo de superação, um lembre-se de que é possível sobreviver à pior versão de si mesmo e emergir mais forte.







