Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, revelou em entrevista recente à Full Metal Jackie uma história fascinante sobre como a capa de um álbum de rock dos anos 70 o “assombrou” e o levou a descobrir um de seus maiores ídolos: William Blake. A conversa abrangeu diversos aspectos de sua carreira, incluindo o recente relançamento de seu álbum solo, “Balls to Picasso”, agora intitulado “More Balls to Picasso”, e seus projetos em quadrinhos, “The Mandrake Project”.
Uma Nova Versão de “Balls to Picasso”
Um Remastering com Personalidade
Dickinson explicou o processo de reimaginação de “Balls to Picasso”, revelando que a gravação original não alcançava a sonoridade pesada que ele pretendia. A oportunidade surgiu com o projeto de remasterização do seu catálogo em Dolby Atmos. Ele decidiu aproveitar para adicionar elementos que sempre imaginou, mas que não foram possíveis na época. O resultado é “More Balls to Picasso“, uma versão mais profunda, escura e pesada, enriquecida com guitarras adicionais, percussões variadas, orquestra em algumas faixas e, surpreendentemente, uma seção de metais em “Shoot All the Clowns”. A colaboração com Brendan Duffy, responsável pelas mixagens em Atmos, e músicos do Berklee College of Music, resultou em um álbum eclético e marcante. A inclusão de instrumentos indígenas da Amazônia em “Gods of War”, por exemplo, adiciona uma camada única e poderosa.
Instrumentação Inusitada e a Busca de Bruce Dickinson pela Perfeição
A escolha de adicionar instrumentos incomuns não foi aleatória. Antonio Teoli, um músico brasileiro que viveu na floresta amazônica, forneceu as gravações de instrumentos indígenas que foram incorporadas à mixagem. Dickinson destacou que a adição da orquestra em “Tears of a Dragon” e “Change of Heart” também foi inspirada por Teoli. A decisão sobre o que adicionar às músicas foi uma combinação de experimentação, trabalho em conjunto com a equipe e uma intuição de que alguns elementos faltavam para atingir o potencial total. A seção de metais em “Shoot All the Clowns”, por exemplo, transformou a música e deu a ela um groove ainda mais envolvente, transformando-a em um verdadeiro destaque do álbum.
Uma Jornada Musical com a Banda
A Formação de uma Nova Banda
Dickinson também falou sobre sua primeira turnê solo nos EUA em quase 30 anos, com uma banda formada nos últimos anos. Ele enfatizou que a seleção dos músicos não foi feita por meio de audições tradicionais; a banda, de certa forma, o escolheu. Dave Moreno, com quem Dickinson já trabalhava, compõe a base da formação. Mistheria, um talentoso tecladista italiano, contribuiu com os teclados. A baixista Tanya O’Callaghan, ex-Whitesnake, entrou no projeto por meio de um trabalho com uma orquestra. Os guitarristas Chris De Clercq e Philip Naslund foram adicionados à formação por coincidência, mostrando como o destino uniu este conjunto talentoso de músicos.
Os Próximos Passos: Um Novo Álbum
Dickinson confirmou que a banda que está realizando a turnê nos EUA é a mesma que gravará seu próximo álbum solo, previsto para 2027. Ele já tem 18 músicas prontas, um repertório vasto que promete ser um grande sucesso. O vocalista expressou entusiasmo em relação à colaboração com a banda, ressaltando a energia e a criatividade do grupo. A turnê americana incluirá músicas dos álbuns “Chemical Wedding”, “Accident of Birth”, “Mandrake Project” e, é claro, “More Balls to Picasso”.
A Inspiração de William Blake e “The Mandrake Project”
A Capa de Álbum que Marcou uma Geração
A entrevista culminou com a revelação da capa do álbum “Death Walks Behind You”, do Atomic Rooster, que apresenta uma imagem de William Blake que cativou Dickinson desde sua juventude. Essa imagem, “A pintura de Nabucodonosor”, o assombrou e o levou a uma profunda imersão na obra de Blake, que se tornou uma grande fonte de inspiração para sua escrita e para o desenvolvimento da série em quadrinhos “The Mandrake Project”. O projeto gráfico inclui até mesmo terra do túmulo de Blake na edição de luxo, uma homenagem emocionante à figura que tanto influenciou o músico.
“The Mandrake Project”: Uma Obra em Andamento
Dickinson falou sobre a colaboração com Kurt Sutter, criador de “Sons of Anarchy”, que contribuiu significativamente com a história e a produção do projeto. A série, inicialmente composta por quatro episódios, terá mais oito, mostrando a saga de Mandrake. A colaboração com Sutter, que o aconselhou durante o processo criativo, foi fundamental para moldar a narrativa e transformar a visão do músico em realidade. “The Mandrake Project” se consolida como uma obra complexa e multifacetada, que combina as habilidades artísticas de Dickinson com a narrativa impactante de uma história de suspense e mistério.
Conclusão: Uma Carreira em Constante Evolução
A conversa com Bruce Dickinson destaca sua constante busca pela inovação e seu talento multifacetado, que transcende a música e se estende às artes gráficas. Seu trabalho contínuo em música, quadrinhos e outras áreas demonstra sua paixão por criar e compartilhar suas ideias com o mundo. Sua história revela como uma simples capa de álbum pode ter um impacto profundo na vida de um artista e gerar projetos criativos de grande escala.
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