Em um cenário onde grandes nomes do rock surgem e moldam gerações, a figura de Geddy Lee, o formidável baixista da banda Rush, por vezes tem sua influência subestimada. No entanto, sua presença discreta no mundo do rock não diminui o impacto de seu trabalho, cujas ressonâncias podem ser ouvidas em músicos lendários como Cliff Burton, Tim Commerford e Steve Harris.
Geddy Lee, um gigante do baixo, não apenas deixou sua marca na história do rock progressivo com o Rush, mas também foi profundamente influenciado por uma série de sonoridades que pavimentaram seu caminho. Crescendo durante a efervescência da ‘Invasão Britânica’, ele absorveu os sons do rock britânico e do rock progressivo, que não só moldaram sua perspectiva musical, mas também a forma como ele viria a criar suas próprias composições.
A Invasão Britânica e a Chama do Rock
Nascido no Canadá, Geddy Lee teve o privilégio de testemunhar o início da globalização das exportações musicais britânicas. Essa era de ouro permitiu que ele acompanhasse de perto as turnês de suas bandas favoritas pela América do Norte, observando a magia dessas apresentações ao vivo. Ver esses grupos em ação acendeu uma centelha em seu espírito, impulsionando-o a formar sua própria banda e a criar sua própria música.
Embora bandas como The Beatles e The Kinks fossem onipresentes, a grande paixão de Geddy Lee sempre foi The Who. A combinação explosiva dos vocais de Roger Daltrey, a guitarra inovadora de Pete Townshend, o baixo marcante de John Entwistle e a bateria frenética de Keith Moon serviu como uma fonte inesgotável de inspiração para a vasta produção do Rush.
Lee uma vez aclamou Townshend como o maior compositor a abrilhantar a cena do rock, o que explica por que Who’s Next, lançado em 1971, ocupa o posto de seu álbum favorito de todos os tempos. Essa obra não é apenas um marco, mas um testemunho da capacidade de uma banda de evoluir e se reinventar.
“Who’s Next”: A Obra-Prima Que Moldou um Gênio
Who’s Next é, sem dúvida, um trabalho magistral em múltiplos níveis. Embora alguns de seus elementos possam parecer datados hoje em dia, em termos de composição, ele permanece um exemplo sublime de uma banda que encontrou seu ritmo e sua voz de forma definitiva. Mais do que isso, as restrições intelectuais e criativas que o The Who superou para criá-lo transformam o álbum em um glorioso exemplo de grandeza forjada através da luta.
Assim como na vida, os membros do The Who amadureceram. Eles abraçaram as mudanças de sua época, algo que muitos de seus pares não conseguiram fazer, e isso abriu caminho para que continuassem sua longa e sonora jornada ao longo do resto dos anos 70. O álbum capturou a essência de uma banda em seu auge criativo e emocional.
Em entrevista à Classic Rock, Geddy Lee expressou sua admiração: “Esse álbum incorpora todas as melhores coisas sobre o rock and roll. Ótima composição, ótima execução. Quase todas as músicas são um clássico”. Quando Who’s Next foi lançado, Lee já estava à frente do Rush e citou o álbum como uma grande influência para ele e seus colegas de banda, que frequentemente tocavam músicas do The Who durante seus ensaios.
Geddy Lee não é estranho aos power chords, como “Dreamline” comprova, mas ele sempre proclamou Townshend como o pioneiro e “Won’t Get Fooled Again” como o hino de sua vida. “Talvez os maiores power chords já gravados”, ele afirmou. “Quem inventou o power chord? Provavelmente Pete”. Os padrões de acordes ferozmente batidos de Townshend impulsionaram Who’s Next a vender mais de 100 milhões de discos, tornando-os uma das bandas mais vendidas da Invasão Britânica. Lee disse que o álbum nunca saiu de sua vitrola por anos após seu lançamento.
John Entwistle: O Deus do Baixo e Sua Ferocidade Musical
Embora a contribuição de Townshend para o sucesso do The Who seja frequentemente o foco principal para Geddy Lee, ele também nutria uma admiração imensa pelo falecido baixista John Entwistle. Para Lee, Entwistle não era apenas um dos maiores de todos os tempos, mas estava no mesmo nível de ícones como Paul McCartney, John Paul Jones e Jack Bruce. Uma lista de elite que poucos baixistas podem sequer sonhar em fazer parte.
Após ouvir “My Generation”, Lee ficou não apenas impressionado com Townshend, mas declarou Entwistle um dos “Deuses do rock”. Em entrevista à Rolling Stone, ele compartilhou: “Esse era um nome que você precisava conhecer. Ainda o classifico como o maior baixista de rock de todos os tempos, em certo sentido. Primeiro de tudo, ele era feroz. Ele tinha um som que ousava invadir o domínio do guitarrista. Então ele tinha um tom muito alto, muito agressivo”.
A reverência pela forma de tocar de Entwistle não terminou aí, com Geddy Lee acrescentando: “Ele tinha uma destreza incrível. Simplesmente se movia pelas cordas de uma maneira tão fluida e com tanta facilidade, ainda assim, soava tremendamente feroz ao mesmo tempo”. Essa combinação de técnica e agressividade o tornou único e inspirou muitos outros a explorar o potencial do baixo no rock.
A influência de The Who, e especificamente de Pete Townshend e John Entwistle, na carreira de Geddy Lee é um testemunho da profundidade e da riqueza do rock clássico. Através de seus olhos, percebemos não apenas a grandeza de uma das maiores bandas da história, mas também a maneira como a arte transcende gerações, moldando e inspirando futuros ícones da música.







