Não é todo mundo que nasce com um talento natural para a música. Muitos músicos parecem ter nascido para isso, mas a maioria precisa de anos de prática. Slash, um guitarrista lendário, embora pudesse fazer a guitarra “cantar” sem esforço, nunca menosprezou as horas de estudo. Ele sabia que não possuía nenhum superpoder que o transformasse automaticamente no maior guitarrista de todos os tempos. Era um estudioso dos grandes artistas que o precederam, e embora tivesse o ar arrogante do rock and roll ao tocar músicas como “November Rain” e “Paradise City”, ele facilmente se inspirava em mestres como Eric Clapton e Joe Walsh ao criar seus solos. Sua guitarra era sua voz, mas não peça a ele para cantar.
Um guitarrista que preza a excelência vocal
Por mais talentoso que fosse na guitarra, Slash reconhecia sua incapacidade de assumir o papel de vocalista principal. Ele preferia ficar nos bastidores, observando o andamento musical. Embora tenha trabalhado com vocalistas excepcionais como Axl Rose e Scott Weiland, ele sabia que nem sempre era fácil lidar com eles. Ao se lançar como artista solo, finalmente ganhou a liberdade de fazer o que quisesse. Seu álbum solo de 2010 foi uma verdadeira mistura de cantores, e embora Myles Kennedy tenha se mantido presente, Slash sempre teve a ideia de gravar um álbum com covers de blues. O blues sempre foi fundamental em sua carreira, e ele já havia tocado ao lado de lendas como B.B. King, mas faltava encontrar os cantores certos.
Vozes inusitadas em um álbum de blues
Algumas escolhas foram óbvias, como Paul Rodgers e Brian Johnson do AC/DC. Mas as maiores surpresas vieram com novas adições ao projeto. Demi Lovato, por exemplo, não é a primeira pessoa que se imagina cantando blues, mas sua versão de “Papa Was A Rolling Stone” é fantástica. Mas para Slash, nada se compara à versão de Chris Stapleton para “Oh Well” do Fleetwood Mac. “Eu não sou um daqueles caras que ouve muito country“, disse Slash. “Em uma turnê dos Guns N’ Roses nos EUA em 2016, o Chris Stapleton abriu alguns shows para nós. Ele é um cara absurdamente talentoso, com uma voz incrível. Quando pensei nessa música, me ocorreu que a cadência dele ao cantar aquela letra seria imprevisível, mas soaria muito legal.”
A força espiritual do blues em Chris Stapleton
A versão original de Peter Green já é um clássico do blues, mas a interpretação de Stapleton traz uma textura country ausente na original. Todos os grandes bluesmen carregam uma força espiritual em seus cantos, e a performance de Stapleton parecia ter saído diretamente do Delta, mesmo com uma produção mais moderna. Slash construiu uma reputação como o guitarrista “padrão” do rock, mas a escolha de artistas como Stapleton demonstra sua capacidade de surpreender. Ele é um estudioso do rock, mas não tem medo de fazer escolhas inesperadas. A busca por vozes únicas e talentos excepcionais demonstra sua visão artística.
A busca pela inovação musical
A parceria com Stapleton exemplifica a busca de Slash por inovação e a sua capacidade de transcender as expectativas do público. A escolha de um cantor country para um álbum de covers de blues demonstra a sua abertura para novas sonoridades e a sua crença de que a música pode ser reinterpretada e renovada através de colaborações inesperadas. Ele não se limita aos padrões tradicionais, mas busca a originalidade em diferentes estilos e artistas, enriquecendo a sua música com diferentes nuances e perspectivas.
O impacto da escolha estratégica
A inclusão de Chris Stapleton no álbum de covers de blues foi uma decisão estratégica que transcendeu as expectativas. Não apenas elevou o nível da música, mas também reforçou a imagem de Slash como um artista ousado, que não se prende às convenções e está sempre disposto a experimentar novas combinações sonoras. Essa escolha inteligente reforça sua posição como um ícone do rock que valoriza acima de tudo o talento puro e a capacidade de trazer novas perspectivas para um estilo musical clássico.
Legado de um visionário
Em suma, o sucesso da colaboração entre Slash e Chris Stapleton demonstra que a verdadeira genialidade reside não apenas na maestria técnica, mas também na capacidade de reconhecer e valorizar o talento singular nos outros. Slash, um mestre da guitarra, mostrou-se também um visionário na escolha de suas colaborações, buscando vozes que adicionassem camadas inesperadas e inovadoras à sua música. O álbum se tornou um testemunho da sua busca incessante pela excelência, além das fronteiras do rock tradicional.