A perda de Ozzy Osbourne em 22 de julho de 2025, aos 76 anos, abalou profundamente o universo da música, e o heavy metal, em particular, sentiu a partida de seu “Príncipe das Trevas” e pioneiro. Entre as muitas homenagens prestadas ao longo da semana, o tributo da banda Metallica se destacou por sua profundidade e reconhecimento de uma influência que, segundo eles, “transformou nossas vidas e carreiras“. A mensagem do Metallica não foi apenas um adeus a um ícone, mas um testemunho da relação de mentor e amigo que Osbourne cultivou com uma das maiores bandas de metal de todos os tempos.
Um Reconhecimento de Mentor e Amigo
Imediatamente após a notícia do falecimento de Osbourne, os titãs do metal, o Metallica, compartilharam uma imagem do vocalista do Black Sabbath com eles nas redes sociais, acompanhada por um emoji de coração partido. Este primeiro gesto foi seguido por uma declaração oficial mais elaborada, que articulou a imensa dívida de gratidão e admiração que a banda sentia por Ozzy.
A mensagem da banda no Instagram começou com uma declaração poderosa e abrangente: “É impossível expressar em palavras o que Ozzy Osbourne significou para o Metallica. Herói, ícone, pioneiro, inspiração, mentor e, acima de tudo, amigo são alguns que vêm à mente“. Esta lista de atributos não apenas resumiu o vasto impacto de Ozzy, mas também revelou a natureza multifacetada de seu relacionamento com o Metallica, que foi além da mera admiração artística para se tornar uma parceria e amizade. A declaração do Metallica sublinhou a convicção e o apoio que receberam no início de sua jornada: “Ozzy e Sharon acreditaram em nós e transformaram nossas vidas e carreiras”. Este endosso inicial de uma lenda viva do rock foi, sem dúvida, um divisor de águas para a banda em ascensão.
O Metallica continuou, detalhando o tipo de orientação que receberam de Osbourne: “Ele nos ensinou a jogar nas grandes ligas, sendo ao mesmo tempo caloroso, acolhedor, envolvente e brilhante em todos os aspectos“. Esta parte da homenagem é crucial, pois humaniza Ozzy, mostrando que ele não era apenas o “Madman” no palco, mas um ser humano acessível e inspirador nos bastidores, alguém que se importava em guiar a próxima geração de talentos. A natureza de sua mentoria, que combinava seriedade profissional com uma atitude “brilhante” e acolhedora, destacou a generosidade de espírito de Ozzy.
Ozzy Osbourne faleceu em 22 de julho, e sua morte foi confirmada por sua família em uma declaração conjunta: “É com mais tristeza do que meras palavras podem transmitir que temos que informar que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor”. A família não forneceu uma causa de morte, pedindo privacidade em seu luto.
O Legado de Resiliência e Generosidade
A homenagem do Metallica se inseriu em um coro global de tributos. Outros membros da comunidade do rock também prestaram suas homenagens, como a banda Ghost, que dedicou seu concerto no Madison Square Garden a ele, e Alice Cooper, que liderou sua multidão em um cântico do nome do vocalista do Black Sabbath em Cardiff. Essas demonstrações de respeito sublinham a vasta teia de conexões e o profundo legado que Ozzy deixou.
Nos últimos anos de sua vida, Osbourne enfrentou a doença de Parkinson’s, uma condição que afetou significativamente sua mobilidade. Essa luta não o impediu de se apresentar; em seu recente concerto de despedida com o Black Sabbath, “Back to the Beginning”, em Villa Park, Birmingham, ele se apresentou de um trono. Este espetáculo de rock, que marcou o reencontro da formação original do Black Sabbath pela primeira vez em mais de 20 anos, foi também um esforço filantrópico monumental, arrecadando quase 200 milhões de dólares para a Cure Parkinson’s, o Birmingham Children’s Hospital e o Acorns Children’s Hospice. O fato de Ozzy ter perseverado em sua paixão pela música e ter usado sua plataforma para apoiar causas tão importantes, mesmo enfrentando sérios desafios de saúde, é um testemunho de sua resiliência e generosidade.
Um vislumbre da mente de Ozzy nos últimos anos de sua vida virá com o lançamento póstumo de sua autobiografia, “Last Rites“, em 7 de outubro. O livro, que se espera cobrir extensivamente suas questões de saúde, já teve um trecho liberado, no qual Ozzy refletiu honestamente sobre sua vida: “As pessoas me dizem, se você pudesse fazer tudo de novo, sabendo o que sabe agora, você mudaria alguma coisa? Eu digo, nem f*dendo. Se eu fosse limpo e sóbrio, eu não seria Ozzy. Se eu tivesse feito coisas normais, sensatas, eu não seria Ozzy… Olhe, se terminar amanhã, não posso reclamar. Eu viajei pelo mundo todo. Vi muitas coisas. Eu fiz o bem… e fiz o mal. Mas agora, não estou pronto para ir a lugar nenhum”. Este trecho encapsula a autenticidade e a aceitação inabalável de Ozzy de sua própria jornada, com todas as suas complexidades e contradições. Ele viveu a vida em seus próprios termos, e foi essa recusa em se conformar que o tornou uma figura tão reverenciada e amada.
O tributo do Metallica a Ozzy Osbourne é mais do que uma homenagem a um colega; é um reconhecimento de uma dívida de gratidão, de uma amizade e de uma influência transformadora. Ozzy não apenas abriu caminhos para o heavy metal, mas também pavimentou o caminho para bandas como o Metallica, ensinando-lhes a navegar pelas “grandes ligas” com dignidade e paixão. O “Príncipe das Trevas” pode ter partido, mas o impacto de seu reinado e a luz que ele acendeu nas vidas e carreiras de outros artistas continuarão a brilhar, um testemunho eterno de seu status como “mentor e amigo”. Seu legado é como uma guitarra riffando em loop, incessantemente inspirando e ressoando através das gerações.