Justin Bieber, o fenômeno pop que ascendeu de vídeos do YouTube para o estrelato global, encontra-se, em meados de 2025, em uma encruzilhada intrigante e paradoxal em sua carreira. Seu mais recente álbum, Swag, lançado de surpresa em 11 de julho de 2025, explodiu comercialmente, dominando as paradas. No entanto, a recepção crítica foi brutalmente negativa, levantando sérias questões sobre seu futuro artístico e sua relevância cultural.
Ao mesmo tempo, sua vida pessoal e profissional passou por uma “imensa turbulência” e “massiva transformação”, culminando na resolução de uma vultosa dívida financeira. Como colunistas de música, é imperativo mergulhar nas camadas dessa complexa fase para entender para onde o barco de Justin Bieber está realmente navegando. A questão que paira é: será o fim da linha para o astro pop?
O Fenômeno Comercial de ‘SWAG’: Sucesso Financeiro sem Elogios Artísticos para Justin Bieber
Não há como negar o impacto imediato de Swag nas plataformas de streaming. Apenas dias após seu lançamento, o álbum estreou em primeiro lugar na Apple Music e dominou as paradas diárias do Spotify nos EUA. A faixa “Daisies” liderou as listas, e Justin Bieber chegou a ocupar cinco dos dez primeiros lugares no Spotify e oito na Apple Music. As projeções iniciais para a primeira semana foram de cerca de 150.000 a 160.000 unidades equivalentes de álbum, números que o colocaram em forte concorrência pela liderança da Billboard 200. É um feito impressionante, especialmente para um álbum surpresa e sem singles prévios, e reforça o poder de sua base de fãs leal. Afinal, todos os seus seis álbuns anteriores já haviam alcançado o topo da Billboard, e Justice sozinho conquistou o oitavo No. 1 para o artista. Este sucesso comercial incontestável sugere uma estabilidade que, para muitos próximos a ele, não corresponde à realidade dos “bastidores”. O brilho do sucesso financeiro contrasta fortemente com as nuvens sombrias que pairam sobre a percepção artística do trabalho de Justin Bieber.
O Veredicto Artístico: Um Álbum “Pavoroso” e “Swagless”
Contrariando o fervor das vendas, a crítica musical teceu um panorama desolador sobre Swag. Regis Tadeu, em sua análise, não poupou adjetivos, chamando o álbum de “tortura”, “uma aberração indigna da história da música pop” e “lixo total”. Ele o descreveu como a “personalização tanto da ausência de força musical do Justin Bieber quanto da fraqueza em termos de saúde mental”.
O “The Crimson White” ecoou essa visão, qualificando Swag como “decepcionante mesmo para baixas expectativas”, um trabalho “inchado, datado”, que “faz pouco mais do que levar o ouvinte a questionar que tipo de lugar Bieber tem na cultura popular”. As críticas são unânimes em apontar a falta de autenticidade e o desinteresse aparente de Bieber. A abertura do álbum com “All I Can Take” começa promissora, mas logo descamba para “vocais choramingões e letras vazias”, uma constante que persiste por todo o disco. A “produção exuberante” é elogiada, mas é “aniquilada por composições de primeira mão”. Regis Tadeu complementa que a produção, embora “exageradamente polida”, não consegue mascarar a “canhura” da tentativa de R&B moderno, desvalorizando ainda mais o trabalho de Justin Bieber.
As letras são um ponto particularmente fraco. Regis as descreve como “escritas por um menino de 13 anos”, “ridiculamente tolas”, com “questionamentos tão profundos quanto uma conversa de casal bêbado num banheiro”. A tentativa de introspecção e vulnerabilidade de Bieber, com linhas como “Feels personal when no one’s listenin’ / There’s things that I can’t change, Lord knows I’ve tried”, é percebida como um esforço falho, pois ele “não consegue se comprometer totalmente com a reflexão para fazer uma declaração verdadeiramente transparente”.
Os interlúdios com o comediante Druski são um capítulo à parte, considerados “bizarros” e que “barateiam um momento pessoal”. A percepção geral é de que Bieber está “disappointingly boring and uncreative”, soando “desinteressado em sua própria carreira”, tornando “quase impossível para qualquer outra pessoa estar interessada”. Ele “não tem carisma” e se esconde atrás de “autotune genérico”, resultando em um trabalho que, em uma palavra, é “swagless”. Regis Tadeu resume que o disco não traduz a complexidade de Bieber ou suas dores em algo “coeso e muito menos memorável”, sendo um “espelho quebrado e incompleto”, o que levanta sérias dúvidas sobre o futuro de Justin Bieber na música.
Turbulência Pessoal e Resoluções Profissionais: Um Novo Capítulo Forçado para Justin Bieber?
A chegada de Swag acontece em um período de “massiva transformação” e “imensa turbulência na vida de Bieber”. Desde a era do álbum Justice, ele enfrentou “problemas de saúde” que levaram ao cancelamento de sua turnê mundial Justice. Essa decisão gerou uma vultosa dívida: um adiantamento de US$ 40 milhões da AEG em 2022 para a turnê, dos quais US$ 26 milhões foram pagos por Scooter Braun através de sua empresa Hybe, ficando Bieber responsável pelo reembolso. Adicionalmente, havia uma disputa sobre US$ 11 milhões em comissões de gerenciamento não pagas, com Braun alegando a metade.
A boa notícia para Bieber é que, dias após o lançamento de Swag, ele quitou uma dívida de US$ 31,5 milhões com Scooter Braun, que incluía os US$ 26 milhões da turnê cancelada e US$ 5,5 milhões em comissões pendentes. Esta “tensa disputa” e “responsabilidade premente” finalmente foram resolvidas, “fechando um capítulo que havia ofuscado a carreira do pop star”.
Ainda que tenham “cortado laços profissionalmente” em 2024, Scooter Braun expressou que a história entre eles “não terminou” e que ele os vê como “família”. Ele até parabenizou Bieber pelo novo álbum, descrevendo-o como o trabalho “mais autenticamente Justin Bieber até hoje”. Essa resolução financeira e a separação profissional, com Bieber montando uma “nova equipe”, podem ser vistas como um “novo começo” para ele “controlar seu próprio destino”.
No âmbito pessoal, Bieber também vivenciou grandes mudanças. Ele é casado com Hailey Baldwin desde 2018, e o casal deu as boas-vindas ao filho, Jack Blues, em 2024. Embora isso represente uma fase de estabilidade familiar, a imprensa também noticiou que Bieber estava “emocionalmente distante” e “cada vez mais isolado de colaboradores de longa data”, tomando “decisões que parecem impulsivas” que afetaram sua “vida — negócios, amizades e finanças”. Regis Tadeu chegou a mencionar “especulações sobre o seu próprio casamento” e uma sugestão de que Justin Bieber estaria “implorando por socorro”.
O Futuro de Justin Bieber: Relevância Duradoura ou Nostalgia Passiva?
O futuro da carreira de Justin Bieber, portanto, está em um fio da navalha. De um lado, ele demonstrou que seu poder comercial permanece inabalável, capaz de impulsionar álbuns ao topo das paradas mesmo com críticas ferrenhas e sem grande esforço de marketing prévio. Sua capacidade de gerar buzz e vendas é um ativo valioso. Além da música, ele já havia se aventurado na moda com a Drew House e agora lançou a nova marca SKYLRK, um esforço para “rebranding e expansão além da música”. Ele também tem um histórico impressionante de sucessos, de “Baby” a “Despacito”, e de filmes a documentários.
No entanto, o grande desafio é “sustentar a relevância e reconstruir a confiança” de um público que, talvez, comece a questionar a profundidade de seu trabalho. A crítica de que ele parece “desinteressado em sua própria carreira” é um alerta vermelho. Para um artista que já gritou ao mundo sobre suas lutas e responsabilidades familiares, a falha em traduzir essa “complexidade em alguma coisa que seja coesa e muito menos memorável” é preocupante. A “inconsistência e insegurança” apontadas no álbum Swag podem corroer sua base de fãs a longo prazo, caso a qualidade artística não melhore.
Para solidificar seu legado e garantir um futuro duradouro, Justin Bieber precisa mais do que apenas sucesso comercial. Ele necessita encontrar um novo propósito artístico, uma voz genuína que ressoe com seu crescimento pessoal e suas experiências. É como um chef talentoso que, após anos servindo pratos aclamados, de repente começa a entregar refeições sem paixão, confiando apenas no nome de seu restaurante. O público pode vir uma ou duas vezes pela marca, mas se a experiência não for nutritiva e inspiradora, buscará novos sabores em outros lugares. A questão é: Justin Bieber está pronto para cozinhar de novo com a alma, ou continuará a servir pratos mornos, apostando apenas na fome nostálgica de seus antigos admiradores? O tempo, e sua próxima jogada, dirão.